Estudo revela riscos de derramamento de petróleo na Margem Equatorial
Pesquisadores mapeiam os riscos de derramamento de petróleo na Margem Equatorial, destacando áreas vulneráveis e sugerindo ações de proteção.

A exploração da Margem Equatorial, que se estende da Foz do Amazonas até o Rio Grande do Norte, apresenta riscos significativos para os recifes profundos da região. Um estudo recente, publicado na revista Conservation Letters no dia 30 de abril, analisou os potenciais impactos de derramamentos de petróleo nesta área crítica.
De acordo com a pesquisa, as costas do Ceará e do Rio Grande do Norte, que já possuem atividades de produção em andamento, apresentam maior probabilidade de danos a bancos de pradarias marinhas, manguezais, recifes de corais e bancos de rodolitos, que são formados por algas calcárias. Por outro lado, a região entre os estados do Pará e Amapá, onde se planeja expandir a atividade petroleira, tem os recifes mesofóticos como os ambientes mais vulneráveis a esses incidentes.
O estudo utilizou simulações para traçar a trajetória do petróleo e combinou informações científicas e governamentais sobre a distribuição dos habitats marinhos e costeiros. A equipe de pesquisadores avaliou a probabilidade de exposição ao contaminante nas bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar, considerando 15 blocos já em produção, 34 blocos com potencial para exploração e 75 blocos que poderão ser oferecidos, dependendo de fatores como interesse das empresas e processos de licitação.
Com a autoria de especialistas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Universidade do Porto em Portugal e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o estudo sugere ações prioritárias baseadas na gravidade do risco ecológico em cada área. As áreas mais expostas, especialmente na Bacia Potiguar, devem receber atenção especial para monitoramento ecológico e desenvolvimento de planos de contingência.
Além disso, o estudo identifica regiões com maior integridade ecológica e menor exposição ao petróleo, recomendando a criação de novas áreas marinhas protegidas. Essa iniciativa não apenas ajuda a mitigar os possíveis impactos da exploração, mas também fortalece a governança ao aumentar a participação social nas decisões relacionadas ao meio ambiente. O autor principal, Rafael Magris, ressalta a importância desse cuidado, lembrando que o derramamento de óleo na costa do Nordeste entre 2019 e 2020 evidenciou a fragilidade dos ecossistemas costeiros e seus impactos nas comunidades locais.
Fonte: Portal Amazônia