Expedição Científica Mapeia Biodiversidade na Serra do Aracá
Uma equipe de 16 pesquisadores inicia expedição para mapear a biodiversidade do topo da Serra do Aracá, no norte do Amazonas, em busca de novas espécies.

No extremo norte da Amazônia brasileira, próximo à fronteira com a Venezuela, um conjunto de montanhas conhecido como Serra do Aracá abriga ecossistemas únicos que variam de 1.300 a 1.700 metros de altitude. Esta região é lar de uma diversidade de animais e plantas que, segundo os cientistas, são exclusivas desse local.
No dia 24 de agosto, uma equipe composta por 16 pesquisadores de diversas especialidades deu início à maior e mais complexa expedição científica já realizada na Serra do Aracá. Este trabalho representa a terceira etapa de um projeto de mapeamento da biodiversidade das terras altas da Amazônia, que conta com o financiamento da FAPESP e apoio do Exército Brasileiro.
Os pesquisadores já exploraram anteriormente o Pico da Neblina, em 2017, e a Serra do Imeri, em 2022, e agora voltam suas atenções para a Serra do Aracá. “A maior parte da baixa Amazônia está a menos de 100 metros de altitude e a biodiversidade dessa área é relativamente bem conhecida, mas no topo dessas montanhas, o conhecimento é escasso”, afirma Miguel Trefaut Rodrigues, professor emérito do Instituto de Biociências da USP e líder da expedição.
A expedição utilizará helicópteros do Exército Brasileiro para chegar à área de difícil acesso, a partir de uma base em Barcelos (AM). As expectativas são altas, pois descobertas anteriores em expedições semelhantes revelaram novas famílias de sapos e espécies raras de aves. “Encontrar uma nova espécie de ave é um evento raríssimo”, destaca Luís Fábio Silveira, diretor do Museu de Zoologia da USP, que também participará da expedição.
Além da coleta de amostras de fauna e flora, os cientistas utilizarão técnicas inovadoras, como o uso de DNA ambiental para identificar espécies que possam não ser facilmente capturadas. O objetivo é entender a biogeografia das montanhas amazônicas, que, devido ao isolamento geográfico, funcionam como refúgios de espécies únicas. “Queremos desvendar a história evolutiva das espécies nessas montanhas e como elas se relacionam entre si”, conclui Trefaut.
Fonte: Portal Amazônia