Exposição no Museu de Folclore destaca as louceiras de Maruanum
O Museu de Folclore, no Rio de Janeiro, lançou a exposição sobre as louças de Maruanum em parceria com o Ifap, destacando a cultura local e o pedido de registro das artesãs.

O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, conhecido como Museu de Folclore, na cidade do Rio de Janeiro, iniciou no dia 30 de abril a exposição intitulada “Filhas e netas da Mãe do Barro: as louceiras de Maruanum”. Esta exposição é fruto de uma colaboração com o Instituto Federal do Amapá (Ifap) e tem como objetivo valorizar a rica tradição cerâmica da região.
No evento de abertura, houve uma roda de conversa que contou com a presença do reitor Romaro Silva, além de renomadas figuras da comunidade de Maruanum, como as louceiras Marciana Dias e Castorina Silva e a pesquisadora Célia Costa. A discussão foi mediada pela antropóloga Ana Carolina Nascimento, que também é coordenadora de Pesquisa e Projetos Especiais do CNFCP/Iphan.
A tradição das louceiras de Maruanum é mantida atualmente por 26 artesãs, predominantemente mulheres, que habitam 16 vilas no distrito rural de Maruanum, localizado a 80 quilômetros de Macapá. As cerâmicas são produzidas com matérias-primas provenientes do solo amazônico, combinando conhecimentos indígenas e africanos que se entrelaçam na cultura local.
O arqueólogo Michel Bueno Flores da Silva, superintendente do Iphan no Amapá, enfatizou a importância do registro do ofício das louceiras, que é um esforço colaborativo entre a comunidade e o Centro de Pesquisa sobre Cerâmica do Maruanum. “Esse registro é vital para garantir a proteção dessa tradição e reposicionar o Amapá no cenário cultural brasileiro, assegurando visibilidade e proteção aos seus territórios”, afirmou.
Com um total de 208 peças, a exposição reflete a pesquisa de campo realizada pela antropóloga Ana Carolina Nascimento em outubro de 2025. Ela e o fotógrafo Francisco Moreira da Costa passaram uma semana documentando o processo de criação das cerâmicas. Ana Carolina destacou o apoio do Ifap, que foi essencial para superar as dificuldades de transporte e levar as louças até a exposição. A professora Célia Costa, que tem trabalhado com as comunidades desde 2011, ressaltou a importância das louças, que estão diretamente ligadas a crenças e rituais de origem indígena e africana.
Fonte: Portal Amazônia