Floresta em pé se torna fonte de renda para agricultores em Rondônia
Agricultores da RECA em Rondônia geram renda com a venda de frutas e créditos de carbono, promovendo a preservação ambiental e a redução do desmatamento.

Uma iniciativa inovadora em Rondônia, realizada pela Cooperativa Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado (RECA), tem demonstrado que a floresta preservada pode proporcionar mais benefícios econômicos do que a área desmatada. Com uma significativa redução de 86,2% no desmatamento entre 2021 e 2025, os agricultores locais estão encontrando novas formas de renda através da conservação ambiental.
Os cooperados da RECA estão gerando receita por meio da venda de produtos como cupuaçu e castanha, além de receberem pagamentos por créditos de carbono. Esses créditos, comprados pela Natura, parceira da cooperativa há mais de 25 anos, são uma forma de remuneração por manter a floresta em pé. Cada crédito representa uma tonelada de CO₂ que foi evitada ou removida da atmosfera, incentivando a conservação.
Angela Pinhati, diretora de Sustentabilidade da Natura, explica que o cálculo dos créditos consideram as emissões que seriam liberadas caso a área fosse desmatada. Até agora, a iniciativa da RECA evitou o desmatamento de aproximadamente 1,5 mil hectares, resultando na não emissão de cerca de 392 mil toneladas de CO₂ equivalente. O objetivo da empresa é que até 2030, metade dos créditos adquiridos venha de cadeias da sociobiodiversidade da Amazônia.
Além dos benefícios ambientais, o projeto impactou positivamente a vida das famílias envolvidas. Um estudo do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) revelou que os cooperados têm uma renda média 37% superior à daqueles que não participam do programa. O acesso à educação também melhorou, com 25% das crianças das famílias participantes cursando o ensino superior, em comparação a apenas 4% no grupo de controle.
Giancarlo Souza de Lima, produtor e diretor comercial da RECA, destaca que a remuneração pelos créditos de carbono trouxe ganhos econômicos e sociais significativos, permitindo que as famílias investissem em suas propriedades e no futuro de seus filhos. A cooperativa, com mais de 37 anos de história, se preocupa com a sucessão familiar e a formação de novas lideranças, preparando assim uma nova geração para continuar o trabalho de preservação e desenvolvimento sustentável na região.
Fonte: Portal Amazônia