Fumaça das queimadas em Manaus se intensifica à noite, diz especialista
A fumaça proveniente de queimadas em Manaus piora à noite devido ao resfriamento do solo, conforme explica meteorologista do Inmet. A qualidade do ar na capital continua preocupante.

Nos últimos dias, a cidade de Manaus (AM) tem enfrentado um sério problema com a fumaça proveniente de queimadas, tanto da capital quanto da Região Metropolitana. Este fenômeno se agrava entre o início da noite e o amanhecer, levantando a questão sobre o porquê dessa piora noturna.
A meteorologista Andrea Mendes, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), esclarece que durante o dia, o aquecimento do solo provoca uma movimentação do ar que favorece a mistura das camadas atmosféricas. Já à noite, com a queda da temperatura, a superfície perde calor e a circulação do ar se torna mais estável, resultando na concentração de fumaça e partículas finas, como o MP2,5, nas camadas mais baixas da atmosfera.
As partículas MP2,5 são poluentes com diâmetro inferior a 2,5 micrômetros, que podem ser inaladas e afetam a saúde. Em Manaus, o monitoramento da qualidade do ar é realizado por meio do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Algumas noites podem apresentar uma inversão térmica mais intensa, que funciona como uma tampa, dificultando ainda mais a dispersão dos poluentes.
Com o amanhecer, a temperatura do solo volta a subir, o que aumenta a movimentação do ar próximo à superfície e, consequentemente, melhora a dispersão da fumaça. Isso faz com que a visibilidade da fumaça diminua e a qualidade do ar melhore ao longo da manhã, mesmo que os incêndios continuem a ocorrer. Esse padrão é compatível com as observações feitas pelas redes de monitoramento, conforme aponta a meteorologista.
Além das condições locais que favorecem o acúmulo de fumaça durante a noite, o fenômeno climático El Niño pode intensificar os efeitos das queimadas na Amazônia. Andrea Mendes destaca que o El Niño não é responsável por iniciar as queimadas, mas cria condições que podem piorar a situação, como chuvas irregulares e temperaturas elevadas. Conforme a previsão do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos, o El Niño continuará se fortalecendo, com potencial de ser o mais intenso desde 1950.
Fonte: Portal Amazônia