Fundo LIRA apoia comunidades indígenas na vigilância da Amazônia Legal
Com apoio do Fundo LIRA, associações indígenas reestruturam suas equipes de monitoramento, focando na proteção de seus territórios contra atividades ilegais.

A proteção de territórios indígenas na Amazônia Legal passa por uma fase de reestruturação técnica e operacional conduzida pelas próprias comunidades. Com o aporte do Fundo LIRA (Legado Integrado da Região Amazônica), associações locais têm retomado e ampliado suas equipes de vigilância.
O foco das ações está na aquisição de equipamentos, na formação de novas lideranças e na qualificação de denúncias contra atividades ilegais, como a extração de madeira e a caça e pesca predatórias. A presença de infraestrutura adequada tem modificado a rotina de fiscalização das aldeias.
Na Terra Indígena Nukini, no Acre, que faz divisa com o Parque Nacional da Serra do Divisor, a Associação Inū Kuī Vaka Visu do Rio Moa construiu bases de apoio e adquiriu embarcações e motores. Paulo Nukini, cacique da Aldeia Wakavi Sul, relata que a comunidade já realizava o trabalho, mas sem barco adequado, motor, comunicação nem lugar para pernoitar. Hoje as invasões diminuíram bastante, pois as pessoas sabem que a comunidade está organizada.
No sul do Amazonas, a Terra Indígena Boca do Acre, área cortada pela BR-317 e pressionada por invasores, retomou seu monitoramento ativo. A Associação Indígena Apurinã Mayônaty investiu na capacitação de jovens em fotografia, produção de vídeos e georreferenciamento para gerar registros documentais que subsidiem as ações de fiscalização de órgãos parceiros como Ibama, Funai e ICMBio.
Na Terra Indígena Trincheira Bacajá, no Pará, o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade Indígena Kayapó Mekrãgnoti (IBKRIN) formou pesquisadores indígenas e profissionais de sistemas de informação geográfica. A presidente do IBKRIN, Potkro Ngren Kokote, explica que hoje as denúncias contra invasores são qualificadas com mapas, pontos de GPS, fotografias e documentos, além da defesa tradicional dos anciãos.
Além da vigilância física, os recursos também são aplicados na organização política e administrativa dos territórios. A Organização dos Povos Indígenas do Alto Madeira (OPIAM) mapeou demandas locais e criou a Rede Cuandu, que reúne cinco associações indígenas no Amazonas e foca na implementação e apoio contínuo aos Protocolos de Consulta e aos Planos de Gestão Territorial e Ambiental.
O trabalho conjunto permitiu que comunidades sem agentes ambientais formados absorvessem conhecimento de associações mais estruturadas, criando intercâmbio direto e permanente entre aldeias. O foco dos investimentos é garantir a autonomia das organizações a longo prazo.
A gerente do Fundo LIRA, Fabiana Prado, aponta que a proteção territorial começa nas próprias organizações indígenas, que conhecem seus territórios, identificam ameaças e definem prioridades de atuação. Neluce Soares, coordenadora do LIRA, reforça que a capacitação de novas gerações é essencial para o legado das ações territoriais, pois quando novas lideranças participam, o conhecimento permanece nas comunidades e fortalece a proteção no longo prazo.
Fonte: D24AM