Gambá de Maués: Símbolo Vital da Ancestralidade Musical no Amazonas
O Gambá, manifestação cultural de Maués, foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Amazonas, refletindo a resistência de comunidades ribeirinhas.

A manifestação cultural conhecida como Gambá, que une música, dança e tradição, foi oficialmente reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Amazonas. Este reconhecimento é um marco importante na preservação das tradições que representam a resistência de gerações de mestres e das comunidades ribeirinhas do estado.
O Gambá, que se destaca pelo seu som envolvente e ritmado por tambores, é uma expressão cultural que remonta às raízes afro-indígenas da região. De acordo com a secretária municipal de Cultura de Maués, Ocilene Medeiros, essa manifestação é um elo vital entre o presente e as raízes históricas do município, refletindo a verdadeira essência do ser maueense.
A tradição do Gambá se originou nas comunidades rurais e é praticada em celebrações, festividades religiosas e momentos de lazer. A música e a dança que compõem essa manifestação são transmitidas oralmente, onde crianças e jovens aprendem observando os mais velhos, preservando assim a memória coletiva e a técnica de tocar os instrumentos, como o tambor de gambá.
O tambor de gambá, confeccionado a partir de troncos de árvores amazônicas e revestido de couro, é o principal instrumento da manifestação. Além dele, outros instrumentos de percussão, como o caracaxá e o tamborinho, enriquecem a sonoridade, enquanto as loas, versos que podem ser improvisados, mantêm viva a tradição oral. Mestres como Manoel Cardoso e Raimundo Cardoso são fundamentais na transmissão desse conhecimento.
Apesar do reconhecimento, a preservação do Gambá enfrenta desafios, como a falta de incentivo financeiro e a dificuldade de acesso às comunidades ribeirinhas. Ocilene Medeiros enfatiza que a continuidade dessa rica tradição requer políticas públicas eficazes e ações que garantam que os mestres possam ensinar e que os jovens tenham oportunidades de aprendizado, assegurando que o Gambá continue a ecoar nas margens dos rios e nas comunidades de Maués.
Fonte: Portal Amazônia