Garimpo ilegal avança na Terra Indígena Munduruku, revela estudo recente
Um novo estudo mostrou que a exploração ilegal de ouro na Terra Indígena Munduruku está em crescimento, apesar das operações do governo para expulsar invasores. Os impactos na saúde e no meio ambiente são alarmantes.

No último ano, o garimpo ilegal de ouro se expandiu na Terra Indígena Munduruku, localizada no Pará, conforme revelado em um estudo divulgado no dia 21 de setembro. A análise de imagens de satélite indicou a presença de pelo menos dez novas áreas de exploração ilegal, sendo nove delas dentro da TI Munduruku e uma na TI Sai Cinza.
Embora o Governo Federal tenha realizado operações de expulsão de invasores entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025, as atividades ilegais continuam a ameaçar a floresta e a saúde da população local. A Environmental Investigation Agency (EIA), responsável pela pesquisa, trabalhou em parceria com organizações indígenas para monitorar as mudanças no território, que incluem a abertura de estradas e a expansão de frentes de garimpo já existentes.
Rick Jacobsen, gerente sênior da EIA, destacou a gravidade da situação, afirmando que “a escala e a ousadia do garimpo ilegal de ouro no território dos Munduruku são surpreendentes, e os impactos para o povo Munduruku são verdadeiramente devastadores”. Por motivos de segurança, as lideranças indígenas preferiram não comentar abertamente sobre o estudo, mas a Associação de Mulheres Munduruku Wakoborũn denunciou que o garimpo continua a envenenar o território e a vida da comunidade.
Entre as novas áreas de garimpo, uma está próxima à nascente do rio Crepori, onde antes havia mata fechada. O estudo aponta que, em dois meses, uma estrada de 14 km foi construída, ligando a atividade minerária ao Parque Nacional do Rio Novo, evidenciando a rápida degradação ambiental. Além disso, a EIA identificou que, mesmo após operações de fiscalização, as atividades de garimpo foram retomadas rapidamente.
As operações de desintrusão realizadas pelo governo resultaram na destruição de acampamentos e na apreensão de equipamentos, totalizando um prejuízo estimado de R$ 112,3 milhões para as atividades ilegais. No entanto, segundo análises posteriores, essas ações mostraram-se insuficientes para desmantelar completamente as operações de garimpo, que continuam a causar desmatamento e contaminação por mercúrio na região. A situação exige uma resposta mais eficaz e contínua das autoridades para proteger os direitos e o modo de vida dos povos indígenas.
Fonte: Portal Amazônia