Governo relança Brasil Soberano para apoiar empresas afetadas por tarifas
O governo Lula apresenta a terceira fase do Brasil Soberano, com R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas impactadas por tarifas dos EUA. O plano visa minimizar os efeitos das novas tarifas sobre setores estratégicos.

SÃO PAULO – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relançou o plano Brasil Soberano, que tem como objetivo auxiliar empresas e setores que estão enfrentando dificuldades devido às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A terceira fase do programa foi revelada em uma cerimônia no Palácio do Planalto nesta quarta-feira, 22 de novembro, após dois dias de reuniões com representantes do setor privado nacional.
O Brasil Soberano 3 contará com um montante de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito, que serão disponibilizadas para as empresas afetadas pelas tarifas, especialmente aquelas que estão sob a Seção 232 e Seção 301 da legislação americana. A Seção 232 refere-se a tarifas aplicadas por motivos de segurança nacional, afetando setores como aço e alumínio, enquanto a Seção 301 envolve questões relacionadas a práticas comerciais injustas, como desmatamento e pirataria.
Além disso, o plano beneficiará empresas que enfrentam desafios devido a conflitos internacionais, com foco em exportadoras para o Golfo Pérsico, e setores estratégicos, incluindo fertilizantes e minerais críticos. Entre os setores mais impactados pela Seção 232 estão os de aço, alumínio, automóveis e móveis, enquanto a Seção 301 afeta empresas de madeira, carvão, máquinas elétricas, produtos cerâmicos, plástico, calçados, papel e açúcar.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, comentou sobre a dificuldade de estimar o número de empresas que poderão se beneficiar do plano, informando que cerca de 2.400 empresas compõem a base exportadora para os EUA, com uma estimativa de que entre 1.000 e 1.400 empresas possam ser elegíveis, dependendo de sua exposição às tarifas.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos como “injustas e injustificadas” e destacou que o governo está adaptando as respostas às necessidades do setor. A medida provisória com as diretrizes do Brasil Soberano 3 foi assinada pelo presidente Lula, e a regulamentação deve ser feita em breve. As taxas de juros para as linhas de crédito variam entre 3% e 8,3%, dependendo do tipo de financiamento, com recursos provenientes do Tesouro Nacional e do BNDES.
Fonte: Amazonas Atual