Ilhas de Calor: O Efeito do Concreto em Belém e Seus Desafios
O crescimento urbano desordenado em Belém intensifica a formação de ilhas de calor, aumentando as temperaturas e impactando o clima local. Especialistas defendem soluções sustentáveis para mitigar esses efeitos.

Em Belém, cidade equatorial situada à beira da Baía do Guajará, as altas temperaturas e a umidade são características marcantes. Contudo, o crescimento urbano desordenado nas últimas décadas tem intensificado esse cenário, resultando em ilhas de calor urbanas. Essas áreas urbanizadas apresentam temperaturas significativamente mais elevadas em comparação com regiões menos urbanizadas ou com maior cobertura vegetal, conforme explica o professor Edivaldo Afonso de Oliveira Serrão, da Faculdade de Meteorologia do Instituto de Geociências da UFPA.
O fenômeno das ilhas de calor está relacionado à substituição da vegetação por superfícies artificiais. Quando a vegetação é removida, o equilíbrio da radiação solar na superfície é alterado, impactando o balanço de energia. O professor Serrão destaca que, em áreas verdes, a evapotranspiração ajuda a resfriar o ambiente, mas a substituição por concreto e asfalto reduz a disponibilidade de água para esse processo, resultando em um aumento da temperatura.
As ilhas de calor em Belém tendem a ser mais intensas entre os meses de junho e novembro, período em que a região enfrenta menos chuvas e maior incidência de radiação solar. Apesar da vulnerabilidade, a localização da cidade, próxima à linha do Equador e à Baía do Guajará, pode atenuar alguns efeitos. As brisas locais, resultantes da proximidade com a baía, ajudam na redistribuição de calor e umidade, mas o crescimento urbano continua a agravar o problema.
Além do aumento das temperaturas, a urbanização gera impactos na circulação do ar e na formação de chuvas. O contraste térmico entre diferentes áreas pode afetar a distribuição das nuvens de chuva, alterando a quantidade e o local onde a precipitação ocorre. O professor Serrão alerta que a impermeabilização do solo resulta em alagamentos, pois a água da chuva não infiltra adequadamente, aumentando a quantidade de água que flui para áreas mais baixas da cidade, especialmente em regiões de baixa declividade.
Para enfrentar esses desafios, Edivaldo Serrão propõe uma mudança no planejamento urbano, priorizando infraestrutura verde. Isso inclui aumentar a arborização, preservar áreas de várzea e implementar pavimentos permeáveis. O objetivo é não apenas reduzir as temperaturas urbanas, mas também melhorar a infiltração da água e o conforto térmico da população. Ele enfatiza a necessidade de um planejamento que considere o clima como elemento essencial, promovendo uma integração entre as infraestruturas cinza, verde e azul na cidade.
Fonte: Portal Amazônia