Incêndio no antigo Basa revela descaso com patrimônio histórico de Manaus
O incêndio no prédio do Banco da Amazônia expõe a ineficiência da Prefeitura em revitalizar o Centro de Manaus. O local estava previsto para ser um equipamento cultural, mas segue abandonado.

Manaus – Um incêndio atingiu, na manhã desta quinta-feira (3), o antigo prédio do Banco da Amazônia (Basa), localizado na Avenida 7 de Setembro, no Centro de Manaus. O incidente não apenas expôs a fragilidade de um importante imóvel histórico, mas também evidenciou a distância entre os anúncios de revitalização do Centro da cidade e a efetiva execução de projetos pela Prefeitura de Manaus.
As chamas começaram no final da manhã e atingiram parte da estrutura do edifício. O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) foi chamado para controlar a situação e, até o momento, não havia registro de feridos. As causas do incêndio estão sendo investigadas, mas informações preliminares sobre a possível presença de moradores de rua no local não devem ser consideradas como confirmação sem a conclusão das apurações.
O incêndio ocorre em um contexto em que o prédio não estava apenas aguardando uma definição sobre seu futuro. Em novembro de 2023, a Prefeitura de Manaus anunciou que o imóvel seria recuperado para se tornar um equipamento cultural. Na ocasião, foi informado que um acordo de comodato foi firmado com o Banco da Amazônia, permitindo que a Prefeitura utilizasse o espaço por 15 anos, com a opção de compra ao final do período.
A proposta incluía a recuperação da arquitetura original, projetada pelo renomado arquiteto Severiano Mário Porto, e a instalação da sede da Manauscult e do Centro Cultural Severiano Mário Porto. Apesar de outras ações do programa Nosso Centro terem avançado e sido inauguradas, como o Mirante Lúcia Almeida e o Casarão Thiago de Mello, o antigo Basa permaneceu sem solução até o incêndio, evidenciando a falta de ação efetiva.
Além disso, o valor histórico do edifício é inegável. O Banco da Amazônia, projetado em 1974 e inaugurado em 9 de março de 1979, é uma das obras mais significativas de Severiano Mário Porto em Manaus. O imóvel, que combina concreto, vidro e madeira regional, é protegido por legislação estadual, e sua restauração é uma necessidade urgente. A Prefeitura deverá prestar esclarecimentos sobre o que foi efetivamente realizado desde o anúncio do comodato e quais medidas de proteção estavam em vigor antes do incêndio.
Fonte: D24AM