Iniciativa traz tratamento gratuito para Doença de Jorge Lobo no Amazonas
O projeto Aptra Lobo oferece tratamento gratuito para a lobomicose, uma doença rara que afeta populações vulneráveis na região amazônica.

No Amazonas, o seringueiro e agricultor familiar, Augusto Bezerra da Silva, diagnosticado com a Doença de Jorge Lobo, compartilha sua experiência após anos de sofrimento. A enfermidade, que causa lesões nodulares, afetou sua autoestima e o levou ao isolamento social.
A Doença Jorge Lobo, endêmica na Amazônia Ocidental, foi identificada pela primeira vez em 1931 por Jorge Oliveira Lobo. Essa micose é causada pela penetração de fungos em lesões na pele, que podem resultar em desfiguração e incapacidade, impactando diretamente a vida social dos doentes.
Dados do Ministério da Saúde apontam que até o momento, foram registrados 907 casos da doença, com 496 ocorrências no Acre. A DJL atinge, principalmente, comunidades ribeirinhas e povos originários, que muitas vezes têm acesso limitado a serviços de saúde.
O projeto Aptra Lobo, criado pelo Ministério da Saúde, busca estruturar o tratamento da lobomicose no Sistema Único de Saúde (SUS). Com acompanhamento de 104 pacientes nos estados do Acre, Amazonas e Rondônia, a iniciativa visa melhorar o manejo da doença e já apresenta resultados positivos, com mais de 50% dos participantes mostrando melhora nas lesões.
O tratamento é realizado com o antifúngico itraconazol, acessível pelo SUS, e inclui diagnósticos e biópsias em áreas remotas. Segundo o infectologista doutor João Nobrega de Almeida Júnior, o projeto enfrenta desafios devido ao difícil acesso às comunidades, mas já proporciona alívio e recuperação para pacientes como seu Augusto, que agora se sente mais livre e conectado à sua família.
Fonte: D24AM