Inteligência Artificial e o Risco de Fake News nas Eleições de 2024
Especialistas alertam que o uso da inteligência artificial nas eleições pode aumentar a disseminação de fake news. O TSE se prepara para enfrentar esse desafio.

O uso da inteligência artificial (IA) nas campanhas eleitorais deste ano é uma preocupação central para o ministro Nunes Marques, que está à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Especialistas consultados pela Agência Brasil apontam que essa tecnologia pode intensificar a propagação de notícias falsas, especialmente em um cenário de polarização política e baixo letramento digital da população.
O advogado eleitoral Jonatas Moreth, que possui mestrado em Direito Constitucional, compara a atuação da Justiça Eleitoral a um jogo de gato e rato, onde os mecanismos de controle estão sempre um passo atrás. Para ele, assim como no esporte com doping e antidoping, a manipulação através da IA evolui rapidamente e pode ser difícil de ser detectada.
O professor Marcus Ianoni, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense, expressa sua preocupação com a capacidade da Justiça Eleitoral em lidar com o aumento e a sofisticação do uso da IA para manipular o eleitorado. Ele ressalta que o sucesso das intervenções dependerá da disponibilidade de profissionais qualificados para enfrentar esses desafios.
Uma das principais prioridades do ministro Nunes Marques será “enfrentar os efeitos nocivos da inteligência artificial nas eleições”, conforme informado pela assessoria de imprensa do TSE. Além disso, ele busca promover um diálogo eficaz entre os tribunais regionais e atender às principais demandas do país, visando garantir a integridade do processo eleitoral.
Moreth também comenta que a unidade entre o TSE e os tribunais regionais é crucial para decidir se a abordagem será mais intervencionista ou liberal, uma vez que a gestão anterior de Alexandre Moraes foi caracterizada por intervenções rigorosas. O cientista político Ianoni observa que, apesar de uma tendência à liberdade de expressão, o TSE deve estabelecer limites para evitar a disseminação de mentiras e ofensas, ressaltando que a legislação já prevê restrições a calúnias e difamações.
Fonte: D24AM