IPAM, UNODC e Itália apresentam guia estratégico para terras indígenas
Um guia foi lançado para fortalecer a vigilância indígena e combater crimes ambientais nas terras tradicionais do Brasil, com apoio da Itália.

Com o objetivo de enfrentar o aumento dos crimes ambientais e invasões em terras indígenas no Brasil, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) lançaram, em 12 de maio, o guia intitulado Boas Práticas para o Fortalecimento da Vigilância Participativa Aplicada à Proteção Territorial Indígena no Brasil. O evento ocorreu na Embaixada da Itália, em Brasília, e teve o suporte do governo italiano por meio do Ministério de Assuntos Estrangeiros e Cooperação Internacional da Itália (MAECI).
O guia compila práticas, evidências e recomendações que resultaram de diálogos com organizações indígenas, indigenistas e instituições públicas. O foco do material é fortalecer a proteção territorial e preservar os modos de vida dos povos indígenas, em resposta à crescente pressão de atividades ilícitas que ameaçam esses territórios.
As terras indígenas, que estão na linha de frente dos impactos das mudanças climáticas, desempenham um papel essencial na conservação da biodiversidade e na mitigação dos efeitos da crise climática. De acordo com Patrícia Pinho, diretora adjunta de Ciência do IPAM, a vigilância participativa, quando fundamentada nos conhecimentos tradicionais, aumenta a capacidade de adaptação dos povos indígenas e contribui para a proteção ambiental e cultural.
O guia detalha como a vigilância indígena vem se desenvolvendo em diferentes regiões do Brasil, sistematizando práticas que aumentam a complexidade e a capacidade de resposta a crimes ambientais. O documento é um reflexo de encontros técnicos e oficinas que promovem a troca de experiências entre lideranças indígenas, organizando aprendizados sobre como fortalecer sistemas de vigilância adaptados às realidades locais.
Além disso, a publicação destaca a necessidade de integrar saberes tradicionais com tecnologias modernas, utilizando geotecnologias e monitoramento remoto para detectar ameaças como desmatamento e exploração ilegal. O guia, que também inclui recomendações para garantir a segurança da informação e a sustentabilidade das ações, pode ser acessado gratuitamente nos sites do IPAM e UNODC.
Fonte: Portal Amazônia