Joana Darc reconhece número de campanha, mas nega uso de dados do CastraMóvel
Joana Darc reconhece número usado na campanha, nega uso de dados do CastraMóvel e contesta acusações do MPE no TRE-AM.

MANAUS — A deputada estadual Joana Darc (União Brasil) reconheceu que o número de telefone utilizado por uma integrante de sua campanha para entrar em contato com um eleitor pertencia a ela, mas negou que os dados tenham sido obtidos do cadastro do programa estadual CastraMóvel. A parlamentar também afirmou que não reconhece o conteúdo da conversa relatado pelo eleitor ao Ministério Público Eleitoral (MPE).
As declarações constam da contestação apresentada na terça-feira (3) ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), em resposta à representação do MPE que pede multa superior a R$ 5,3 mil por suposto uso de informações da Secretaria de Estado de Proteção Animal (Sepet) para fins eleitorais.
Na defesa, Joana informou que a linha telefônica era pessoal, não tinha custos pagos com recursos de gabinete e foi utilizada durante a campanha por Daniele Bezerra Josino, identificada como voluntária responsável por fazer contatos com eleitores. Segundo a parlamentar, os contatos telefônicos tinham a finalidade de consultar o apoio político dos eleitores e, quando autorizado, apresentar suas propostas. Ela sustenta que os números utilizados foram obtidos de uma base própria, formada ao longo dos anos com informações de apoiadores de sua atuação na causa animal.
Joana também negou reconhecer a versão apresentada pelo eleitor sobre o conteúdo da ligação. Seus advogados argumentam que a captura de tela anexada à denúncia comprova apenas a realização de uma chamada telefônica, sem demonstrar o que foi conversado. A defesa afirma que não há gravação, transcrição ou depoimento que confirme o conteúdo atribuído à conversa e sustenta que o relato do eleitor não demonstra que a mulher tenha mencionado o CastraMóvel ou qualquer atendimento realizado pelo programa estadual.
A contestação também questiona a alegação do MPE de que Joana teria se recusado a prestar esclarecimentos durante a investigação. Segundo seus advogados, ela respondeu aos expedientes recebidos e solicitou acesso aos documentos do procedimento, mas inicialmente não teve acesso a todos os elementos da denúncia. A defesa citou ainda uma manifestação da Sepet, na qual a secretaria afirmou que não houve acesso, compartilhamento ou importação de dados do CastraMóvel para a campanha da candidata.
A representação foi apresentada pelo MPE em 26 de outubro. Segundo o órgão, um eleitor recebeu, em 29 de agosto, uma ligação de uma mulher identificada como Daniele, que se apresentou como integrante da equipe de Joana Darc. Durante a conversa, segundo o eleitor, a mulher perguntou sobre a saúde da cadela dele, atendida pelo CastraMóvel havia mais de um ano. Em seguida, questionou se ele votaria na parlamentar. O procurador regional eleitoral auxiliar Rafael Klautau Borba Costa apontou suspeitas de utilização de informações pessoais fornecidas pelo eleitor exclusivamente para atendimento veterinário em programa público.
Joana comandou a Sepet entre setembro de 2025 e abril de 2026, quando deixou a secretaria para disputar as eleições. Ela foi eleita deputada federal em outubro. A defesa pediu ao TRE-AM que rejeite a representação por falta de provas e, caso seja reconhecida alguma irregularidade, que a multa seja limitada ao valor mínimo de R$ 5.320,50, sem cassação do registro ou do diploma eleitoral. A defesa também indicou Daniele Bezerra Josino como testemunha no processo.
Fonte: Amazonas Atual