Juiz rejeita pedido de David Almeida para adiar investigação eleitoral
O juiz Antônio Itamar de Sousa Gonzaga não acatou o pedido de David Almeida para que sua investigação por corrupção eleitoral fosse transferida ao TRE. O ex-prefeito deve depor à Polícia Federal.

O juiz Antônio Itamar de Sousa Gonzaga, da 2ª Zona Eleitoral de Manaus, decidiu não acatar o pedido do ex-prefeito de Manaus e candidato ao governo do Estado, David Almeida, que solicitava que sua investigação por corrupção eleitoral fosse conduzida pelo pleno do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O magistrado manteve a supervisão do caso sob a primeira instância, o que impede Almeida de atrasar a tramitação, que já se arrasta por quase dois anos.
No mesmo processo, o juiz autorizou que a Polícia Federal (PF) tome o depoimento do ex-prefeito. Desde que deixou o cargo de prefeito em março deste ano para concorrer ao Governo do Amazonas, Almeida não possui mais foro privilegiado e será ouvido na qualidade de investigado. A decisão foi proferida na última quarta-feira, dia 16, após parecer favorável do Ministério Público Eleitoral.
A data para o depoimento à PF ainda não foi definida. A investigação começou antes do segundo turno das eleições de 2024, quando agentes da Polícia Federal prenderam em flagrante dirigentes da Igreja Pentecostal Unida do Brasil (IPUB) em um centro de convenções na Zona Norte de Manaus. Durante a operação, foram apreendidos cerca de R$ 21 mil em dinheiro, distribuídos em envelopes brancos numerados, além de listas de presença com assinaturas de eleitores.
Na ocasião, dois líderes religiosos foram detidos sob a suspeita de corrupção eleitoral, mas foram liberados após o pagamento de fiança. Eles alegaram que os valores apreendidos eram destinados a cobrir despesas de uma convenção religiosa, negando qualquer intenção eleitoral. A necessidade de ouvir David Almeida se intensificou após a conclusão de um laudo pericial realizado pela PF nos celulares coletados durante a operação, que revelou mensagens e áudios entre pastores e Gabriel Alexandre, genro de Almeida.
De acordo com o relatório de inteligência da Polícia Federal, as conversas indicavam um possível acordo sobre o repasse de valores a lideranças evangélicas em troca de apoio político e divulgação da chapa em redes sociais e cultos. Um dos áudios anexados à investigação menciona cobranças sobre valores prometidos por pessoas ligadas à campanha de Almeida. O objetivo do depoimento é esclarecer se o ex-prefeito tinha conhecimento sobre esses fluxos financeiros ou se participou das tratativas. A fase atual da investigação visa coletar provas antes que o Ministério Público decida se apresentará uma denúncia formal à Justiça. Em nota, a assessoria de David Almeida afirmou que ele está à disposição para fornecer todos os esclarecimentos necessários assim que for notificado.
Fonte: D24AM