Justiça expede intimação para esteticista morta em processo de Alagoas
Justiça expediu intimação para esteticista morta em Alagoas, reconheceu erro e investiga falha. Três pessoas respondem por homicídio e cárcere privado no caso.

Uma falha procedimental foi registrada no processo que investiga o assassinato da esteticista Cláudia Pollyanne Farias de Sant’Anna, morta em uma clínica de reabilitação em Alagoas. Meses após o falecimento da vítima, a Justiça expediu uma intimação judicial determinando que ela comparecesse para prestar depoimento sobre a própria morte.
O documento foi emitido no dia 11 de setembro de 2026 pela 2ª Vara Cível e Criminal da Comarca de Marechal Deodoro, fixando o depoimento para o dia 14 de outubro. Cinco dias após a emissão, um oficial de Justiça esteve no endereço cadastrado e registrou que a esteticista não morava mais no local, sem constatar ou mencionar que a mulher já havia falecido.
Em nota, a unidade judicial reconheceu o erro, lamentou o ocorrido e informou que adotará providências para corrigir a intimação, apurar como a falha aconteceu e evitar que situações semelhantes se repitam.
Cláudia Pollyanne morreu em uma comunidade terapêutica localizada em Marechal Deodoro, na região metropolitana de Maceió. De acordo com a denúncia do Ministério Público de Alagoas (MPAL), a vítima permaneceu cerca de sete meses internada, período em que sofreu agressões físicas, maus-tratos e administração forçada de medicamentos. Testemunhas relataram episódios constantes de violência dentro da instituição.
No dia de sua morte, a esteticista foi agredida novamente. A perícia e os investigadores identificaram diversas lesões pelo corpo, além de marcas e sinais compatíveis com asfixia.
Em abril deste ano, a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público contra três pessoas envolvidas no caso. Maurício Anchieta de Souza é apontado como autor das agressões diretas que levaram Cláudia à morte, respondendo por homicídio qualificado, com suspeita de emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de cárcere privado qualificado. Jéssica da Conceição Vilela responde por homicídio qualificado e cárcere privado qualificado, acusada de participar das agressões e de atuar para manter a vítima presa na instituição. Soraya Pollyanne dos Santos Farias, tia da vítima, é denunciada por cárcere privado qualificado, por manter a sobrinha internada contra a vontade, mesmo após o encerramento do contrato e sem autorização legal.
Além do caso de Cláudia, Maurício e Jéssica também são réus em outro processo judicial que apura suspeitas de crimes e maus-tratos praticados contra outros pacientes internados na mesma comunidade terapêutica. O processo principal segue na fase de instrução, na qual a Justiça reúne provas e oitivas de testemunhas para decidir se os acusados irão a julgamento popular.
Fonte: D24AM