Líder indígena Nahu Kuikuro aprendeu português para proteger sua aldeia
Nahu Kuikuro, indígena do Xingu, aprendeu português na década de 40 para defender sua aldeia. Seu neto, Yamaluí, destaca sua importância na preservação cultural e territorial.

O líder indígena Nahu Kuikuro, da etnia Kuikuro, no Xingu, utilizou o aprendizado da língua portuguesa na década de 1940 como estratégia para proteger a aldeia Ipatsé. Esta história é contada pelo seu neto, Yamaluí Kuikuro Mehinaku, em seu livro "Dono das palavras: a história do meu avô", que foi premiado pela Biblioteca Nacional no ano passado.
Yamaluí, de 43 anos, está em Brasília esta semana para participar do Acampamento Terra Livre, um evento que reúne mais de 7 mil indígenas. O evento não apenas serve como um espaço de protesto por políticas públicas, mas também promove intercâmbios culturais entre diversos povos tradicionais do Brasil.
Ao dominar o português, Nahu conseguiu barrar intervenções de brancos em suas terras e, segundo seu neto, isso foi fundamental para a proteção das raízes culturais do seu povo. Nahu, que faleceu em 2005 aos 104 anos, teve um papel essencial na criação do Parque Indígena do Xingu e se tornou um contato de confiança dos irmãos Villas-Boas, importantes indigenistas da época.
O aprendizado da nova língua não foi deliberado, mas surgiu da necessidade da família de conseguir itens básicos de sobrevivência. Nahu se tornou o tradutor entre sua etnia e os não indígenas, e por isso é conhecido como o "dono das palavras". Com o tempo, ele se tornou poliglota, dominando as línguas de 16 etnias da região do Rio Xingu.
Além de ser um defensor da demarcação de terras, Nahu incentivava seus netos a estudarem e a preservarem a cultura indígena. Ele enfatizou a importância de documentar conhecimentos e memórias, o que levou Yamaluí a pesquisar e registrar a história de seu avô. O biógrafo deseja que a nova geração conheça e se inspire na trajetória de Nahu, ressaltando que as escolas ainda precisam valorizar mais os personagens indígenas.
Fonte original
Portal AmazôniaEste artigo foi reescrito com base na matéria original publicada em Portal Amazônia. Acesse o link acima para ler o texto completo na fonte.