Liderança comunitária é atacada em praia de proteção de quelônios no AM
Um vigilante ambiental de 67 anos foi agredido e ameaçado em Tapauá, AM. Os suspeitos foram presos pela Polícia após o ataque ocorrido na última segunda-feira.

Manaus - Na noite da última segunda-feira (31), uma liderança comunitária de 67 anos foi vítima de agressões, ameaças de morte e uma tentativa de homicídio nas proximidades da foz do rio Tapauá, em Tapauá, município situado a 449 quilômetros a sudoeste de Manaus. O incidente foi registrado e comunicado às autoridades locais, resultando na detenção dos suspeitos pela Polícia na noite de quarta-feira (2).
O ataque ocorreu enquanto a vítima realizava atividades de vigilância ambiental em uma praia destinada à proteção das desovas de quelônios. Relatos indicam que quatro indivíduos abordaram a liderança, golpeando sua cabeça e disparando duas vezes com uma arma de fogo, sendo que um dos tiros atingiu a orelha da vítima. Além disso, os agressores ameaçaram destruir as bases de vigilância comunitária ao longo do rio Tapauá.
A vítima recebeu atendimento médico e, felizmente, encontra-se estável. É importante ressaltar que, dias antes do ataque, tanto o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) quanto a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) haviam realizado uma ação de fiscalização voltada para crimes ambientais na região. Moradores acreditam que a tentativa de homicídio possa ter sido uma retaliação às ações de conservação ambiental implementadas por comunidades indígenas e ribeirinhas.
As comunidades locais, que dependem da pesca para sua alimentação, cultura e economia, também têm desenvolvido iniciativas de manejo do pirarucu e proteção territorial. Essas práticas têm contribuído para a recuperação dos estoques pesqueiros, mas a continuidade desses esforços ainda é ameaçada pela falta de fiscalização e infraestrutura adequadas, além da escassa presença do Estado.
Em resposta ao ataque, o Coletivo do Pirarucu, que representa aproximadamente 2.500 famílias envolvidas no manejo comunitário do pirarucu, enviou uma carta às autoridades estaduais e federais solicitando medidas urgentes. O documento ressalta a necessidade de garantir a segurança das lideranças comunitárias, a investigação do crime e a proteção das atividades de preservação em andamento, especialmente as que estão previstas para ocorrer entre setembro e novembro, relacionadas ao manejo do pirarucu.
Fonte: D24AM