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Lideranças Indígenas Discutem Enfrentamento ao Uso de Álcool no Rio Negro

Durante o Acampamento Terra Livre, lideranças indígenas do Rio Negro se reuniram em Brasília para debater o impacto do uso de álcool nas comunidades e articular ações interministeriais.

Carlos Eduardo Lima2 min de leituraálcool, indígenas, Rio Negro

No último Acampamento Terra Livre (ATL), realizado em Brasília, lideranças indígenas do Rio Negro se uniram para discutir questões relacionadas ao uso nocivo de bebidas alcoólicas e seus efeitos nas comunidades. A mobilização, promovida pelo Departamento de Mulheres Indígenas (Dmirn) e pelo Departamento de Adolescentes e Jovens (Dajirn) da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), teve como objetivo articular uma agenda interministerial para tratar desse problema urgente.

Os encontros contaram com a participação de representantes do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Ministério da Justiça. Durante a reunião com o Ministério da Saúde, realizada na última segunda-feira (06), as lideranças apresentaram um documento com recomendações para a prevenção e o fortalecimento das políticas de saúde mental na região, onde o uso abusivo de álcool tem crescido significativamente.

A região do Rio Negro, que inclui os municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos, tem visto um aumento no consumo de bebidas alcoólicas, o que tem gerado diversas consequências sociais. Entre os impactos relatados estão o aumento da violência interpessoal e doméstica, além do rompimento de vínculos familiares e o agravamento de problemas de saúde mental, incluindo suicídios.

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Na reunião com o CNJ, realizada na terça-feira (07), as lideranças enfatizaram a importância da atuação do sistema de justiça para lidar com os efeitos do consumo de álcool, especialmente na proteção de crianças, adolescentes e mulheres. O juiz Manoel Átila Araripe Autran Nunes, que participou remotamente, destacou que cerca de 90% das ocorrências criminais na comarca estão ligadas ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas, o que agrava a situação de vulnerabilidade nas comunidades.

Como resultado das reuniões, foi definida a construção de um trabalho piloto interinstitucional focado na prevenção do uso abusivo de álcool, com a primeira ação programada para a primeira quinzena de junho. As lideranças indígenas, junto aos profissionais envolvidos, buscarão tratar o álcool como uma questão de saúde pública, articulando outras frentes de proteção às mulheres e aos jovens. A antropóloga Dulce Morais, do Instituto Socioambiental, comentou sobre a importância de discutir a temática sem promover a proibição do uso, mas sim reforçando a necessidade de informações e discussões qualificadas sobre o assunto.

Fonte: Portal Amazônia

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