Lideranças Indígenas Discutem Enfrentamento ao Uso de Álcool no Rio Negro
Durante o Acampamento Terra Livre, lideranças indígenas do Rio Negro se reuniram em Brasília para debater o impacto do uso de álcool nas comunidades e articular ações interministeriais.

No último Acampamento Terra Livre (ATL), realizado em Brasília, lideranças indígenas do Rio Negro se uniram para discutir questões relacionadas ao uso nocivo de bebidas alcoólicas e seus efeitos nas comunidades. A mobilização, promovida pelo Departamento de Mulheres Indígenas (Dmirn) e pelo Departamento de Adolescentes e Jovens (Dajirn) da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), teve como objetivo articular uma agenda interministerial para tratar desse problema urgente.
Os encontros contaram com a participação de representantes do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Ministério da Justiça. Durante a reunião com o Ministério da Saúde, realizada na última segunda-feira (06), as lideranças apresentaram um documento com recomendações para a prevenção e o fortalecimento das políticas de saúde mental na região, onde o uso abusivo de álcool tem crescido significativamente.
A região do Rio Negro, que inclui os municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos, tem visto um aumento no consumo de bebidas alcoólicas, o que tem gerado diversas consequências sociais. Entre os impactos relatados estão o aumento da violência interpessoal e doméstica, além do rompimento de vínculos familiares e o agravamento de problemas de saúde mental, incluindo suicídios.
Na reunião com o CNJ, realizada na terça-feira (07), as lideranças enfatizaram a importância da atuação do sistema de justiça para lidar com os efeitos do consumo de álcool, especialmente na proteção de crianças, adolescentes e mulheres. O juiz Manoel Átila Araripe Autran Nunes, que participou remotamente, destacou que cerca de 90% das ocorrências criminais na comarca estão ligadas ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas, o que agrava a situação de vulnerabilidade nas comunidades.
Como resultado das reuniões, foi definida a construção de um trabalho piloto interinstitucional focado na prevenção do uso abusivo de álcool, com a primeira ação programada para a primeira quinzena de junho. As lideranças indígenas, junto aos profissionais envolvidos, buscarão tratar o álcool como uma questão de saúde pública, articulando outras frentes de proteção às mulheres e aos jovens. A antropóloga Dulce Morais, do Instituto Socioambiental, comentou sobre a importância de discutir a temática sem promover a proibição do uso, mas sim reforçando a necessidade de informações e discussões qualificadas sobre o assunto.
Fonte original
Portal AmazôniaEste artigo foi reescrito com base na matéria original publicada em Portal Amazônia. Acesse o link acima para ler o texto completo na fonte.