Manaus enfrenta poluição extrema: população exige ações contra fumaça
Neste sábado (17), a qualidade do ar em Manaus atingiu níveis alarmantes, levando moradores a usarem máscaras. Autoridades são cobradas por medidas efetivas contra a poluição.

MANAUS - Neste sábado, 17 de outubro, Manaus acordou sob uma densa camada de fumaça, com a qualidade do ar em níveis considerados perigosos. Os manauaras, assim, têm sido obrigados a usar máscaras ao saírem de casa, especialmente os moradores do bairro Petrópolis, na zona sul, que foi um dos mais afetados pela poluição proveniente de incêndios florestais.
A aposentada Maria das Graças, que voltou a usar máscara após um longo período sem, relata: "Está horrível. Foi o pior dia desse tempo todinho de fumaça". Mesmo sem problemas respiratórios, ela sentiu falta de ar ao sair para comprar peixe e se preocupa com a saúde visual, considerando usar óculos escuros. “A população está sofrendo”, declarou, cobrando ações efetivas das autoridades.
Outra residente, a ex-professora Luzinede da Silva, também se mostrou preocupada. Ela já usa máscara desde o início da pandemia de Covid-19 e enfatiza que a situação atual é inaceitável: “Hoje está demais. Só Deus para melhorar”. O vigilante Alrineido Queiroz, que trabalha em um ambiente aberto, reclamou da fumaça intensa e da poluição, relatando sintomas como irritação nos olhos, dor de cabeça e coriza.
Alrineido, que já teve tuberculose e pneumonia, considera que a atual situação é a pior que já enfrentou. Ele critica a falta de preparação do governo, que, segundo ele, já deveria ter tomado medidas preventivas, uma vez que os incêndios são recorrentes. “Quem paga o pato é a população, principalmente crianças e idosos”, afirmou, pedindo mais empenho das autoridades, além de punições para os responsáveis pelas queimadas.
A fumaça que afeta Manaus é resultado de queimadas no interior do Amazonas e em estados vizinhos, exacerbadas pela falta de chuvas que retém os poluentes no ar. Em setembro, o Amazonas registrou 3.726 focos de calor, quase quatro vezes mais que no ano anterior. Para lidar com a crise, o governo do Amazonas decretou situação de emergência em 36 municípios no dia 10 de outubro e, em resposta, o governo federal enviou reforços, incluindo brigadistas e aeronaves, além de assistência a 12 municípios com necessidade de apoio, focando na saúde e no fornecimento de oxigênio.
Fonte: Amazonas Atual