Marcelo Ramos defende ZFM e critica ataques à indústria amazonense
O ex-deputado Marcelo Ramos afirma que críticos da Zona Franca de Manaus buscam incentivos fiscais ou o fechamento das indústrias. Ele destaca a importância do modelo econômico para a região.

MANAUS - O ex-deputado federal e advogado Marcelo Ramos (PT) se manifestou em defesa da Zona Franca de Manaus (ZFM) em resposta a um vídeo que critica o modelo econômico da região Norte do Brasil. Para Ramos, aqueles que atacam a ZFM não desejam preservar as indústrias locais, mas sim usufruir dos incentivos fiscais que elas recebem ou, em última instância, promover o fechamento das fábricas, o que resultaria na importação de produtos, sem geração de empregos ou distribuição de renda no país.
Ramos descreve essa crítica como um ataque baseado em desinformação, ignorância e preconceito contra o Amazonas. Ele ressalta que a existência da ZFM é uma decisão soberana do povo brasileiro, garantida pela Constituição de 1988, com o objetivo de reduzir as desigualdades regionais que persistem no país. A defesa do modelo é, segundo ele, fundamental para o desenvolvimento da região.
Em relação ao custo da renúncia fiscal, o ex-deputado aponta que o estado de São Paulo, que possui uma infraestrutura robusta de rodovias, portos e aeroportos, é o maior beneficiário de isenções tributárias no Brasil, recebendo mais de 30% do total, o que equivale a cerca de R$ 900 bilhões. Em comparação, os R$ 26 bilhões da ZFM são utilizados para preservar a floresta e gerar empregos, representando uma fração do valor total de incentivos concedidos em outras áreas, como o agronegócio e a indústria automobilística.
Ramos também refuta a ideia de que a indústria de Manaus se limita à montagem de produtos importados. Ele cita o exemplo dos ar-condicionados, cuja eficiência energética é impactada por exigências do governo federal que obrigam o uso de compressores fabricados em São Paulo, com especificações inferiores ao padrão internacional. Além disso, menciona a fábrica da Honda em Manaus como uma das mais verticalizadas do mundo, que realiza processos complexos de produção e reciclagem de alumínio.
Sobre a indústria de bebidas, Ramos explica que a Pepsi decidiu deixar Manaus e transferiu sua operação para o Uruguai, levando consigo empregos e tributos, enquanto a Coca-Cola optou por permanecer no polo industrial de Manaus. Isso demonstra que a escolha por Manaus envolve fatores que vão além das vantagens tributárias. O modelo da ZFM abriga cerca de 600 indústrias, que geram aproximadamente 130 mil empregos diretos e mais de 500 mil indiretos, sendo um fator crucial para a diminuição das disparidades de renda entre o Amazonas e os grandes centros do Sudeste ao longo dos anos.
Fonte: Amazonas Atual