Marco Histórico: Indígenas e Quilombolas Tornam-se Diplomatas no Itamaraty
Marcelo Kariri e Idjahure Terena fazem história ao serem os primeiros indígenas diplomatas do Brasil. Cerimônia de posse ocorreu no Palácio Itamaraty em Brasília.

Na última quarta-feira, dia 4 de outubro, o Palácio Itamaraty em Brasília foi palco de um momento histórico para a diplomacia brasileira. Os indígenas Marcelo Kariri Menezes, do povo Kariri, e Idjahure Terena, do povo Terena, tomaram posse como diplomatas, sendo os primeiros representantes de povos originários a ingressar na carreira diplomática do país.
Os novos diplomatas iniciarão o curso de Formação de Diplomatas no Instituto Rio Branco, com previsão de conclusão em 2028. O curso conta com cerca de 60 alunos, e quase a metade dos ingressos é destinada a grupos subrepresentados, incluindo 17 pessoas negras, sete com deficiência e um quilombola, além dos dois indígenas.
A cerimônia de posse destacou a maior participação feminina na história do instituto, com 45% de mulheres entre os novos alunos. A ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, enfatizou a importância de que o corpo diplomático reflita a diversidade do povo brasileiro, afirmando que a presença de indígenas e quilombolas no Itamaraty é um ato de resistência em tempos desafiadores.
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, ressaltou que a posse representa a materialização do conceito de “Aldear o Estado”, permitindo que lideranças indígenas influenciem decisões políticas. Ele lembrou que há séculos, os indígenas eram desumanizados e enalteceu o significado simbólico desse avanço.
Os dois jovens diplomatas possuem trajetórias acadêmicas notáveis. Marcelo Kariri é graduado em Engenharia Elétrica e tem um MBA em Digital Business, enquanto Idjahure Terena é doutorando em Antropologia Social. Ambos expressaram a importância de sua inclusão na diplomacia como um passo significativo para a diversidade étnica no Brasil.
Fonte: D24AM