Marcos Santilli clama por preservação da memória em Rondônia
O fotógrafo Marcos Santilli destacou a importância da memória audiovisual em palestra na UNIR, após quase 50 anos de registros sobre a ocupação de Rondônia.

O fotojornalista paulista Marcos Santilli esteve em Porto Velho nesta semana, onde ministrou uma palestra na Universidade Federal de Rondônia sobre a necessidade de preservar a memória do estado. O evento, realizado na quarta-feira, dia 12, trouxe à tona o termo Nharamaã, que no idioma paiter suruí significa 'apropriação da terra'.
Santilli é conhecido por ter documentado, em 1977, o auge da transformação territorial de Rondônia, capturando em suas lentes o surgimento de cidades ao longo da BR-364 e o cotidiano dos migrantes que habitavam o antigo território federal. Agora, quase 50 anos depois, ele continua seu trabalho através do projeto Nharamaã, que é uma documentação áudio-fotográfica das mudanças humanas e ambientais na Amazônia.
Durante sua trajetória de 49 anos, Santilli produziu três livros, discos, espetáculos, audiovisuais e filmes, tornando-se uma referência essencial para acadêmicos, historiadores e jornalistas interessados na Amazônia. O encontro na UNIR contou com a presença de diversos profissionais, que reconheceram a importância do acervo de Santilli para o estudo da região.
Além de fotógrafo, Santilli é também escritor e produtor cultural, tendo dirigido o Museu da Imagem e do Som de São Paulo de 1995 a 2003. Ele chamou a atenção para a falta de um espaço dedicado à preservação da memória audiovisual de Rondônia, afirmando que atualmente não existe um arquivo organizado pelo governo do estado. O único acervo bem mantido é o do Centro de Memória do Poder Judiciário.
Em 2017, a Superintendência de Turismo criou o Museu de Gente de Rondônia, que coletou mais de 400 depoimentos audiovisuais, mas o projeto foi encerrado em 2019. Com as eleições de 2026 se aproximando, Santilli pediu que instituições e militantes da cultura se unam para cobrar dos candidatos um compromisso com a preservação da cultura e história regionais. Ele alertou que, se não cuidarmos da nossa memória, ninguém contará a história de Rondônia no futuro.
Fonte: Portal Amazônia