Pesquisadora do Inpa recebe Prêmio Augustin-Pyramus de Candolle 2006
Catarina Silva de Carvalho, do Inpa, recebe o Prêmio Augustin-Pyramus de Candolle 2006 por sua contribuição à Botânica, com reconhecimento internacional e impacto na pesquisa amazônica.

A pesquisadora Catarina Silva de Carvalho, docente do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), foi agraciada com o Prêmio Augustin-Pyramus de Candolle 2006, concedido pela Société de Physique et d’Histoire Naturelle de Genève (SPHN), na Suíça. A cerimônia de entrega ocorreu no Jardim Botânico de Genebra, após a apresentação de uma palestra sobre estudos sistemáticos da planta Cubarus, comum na Amazônia.
Para Catarina Carvalho, o prêmio representa um importante reconhecimento internacional de sua trajetória acadêmica. Ela declarou: “Ter sido laureada com o prêmio De Candolle é uma honra para mim. A cerimônia foi emocionante, me senti muito reconhecida. Foi o reconhecimento do trabalho que venho fazendo em taxonomia integrativa. Senti que estou indo no caminho certo”.
A trajetória científica que levou à premiação teve início durante o doutorado de Catarina na Escola Nacional de Botânica Tropical (ENBT/JBRJ), sob orientação dos pesquisadores Haroldo Cavalcante de Lima e Domingos Cardoso. Desde então, seus estudos sobre a sistemática da tribo Dipterygeae têm sido aprofundados por meio de abordagens em taxonomia integrativa e filogenia molecular de Leguminosae.
Atualmente, Catarina desenvolve parte de seu trabalho sob supervisão de Domingos Cardoso, na Diretoria de Pesquisas do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (Dipeq/JBRJ). No Inpa, ela participa de projetos colaborativos voltados à filogenia molecular e à genômica populacional de plantas e fungos amazônicos, em parceria com as pesquisadoras Maristerra Rodrigues Lemes e Noemia Kazue Ishikawa, da Coordenação de Biodiversidade (COBIO).
Além da pesquisa, Catarina atua como docente e orientadora no PPG-Botânica do Inpa, contribuindo para a formação de novos pesquisadores na área da Botânica Tropical. A coordenadora do Laboratório de Genética e Biologia Reprodutiva de Plantas (LabGen/Inpa), Maristerra R. Lemes, afirmou: “Este prêmio é um justo reconhecimento à dedicação e à qualidade do trabalho desenvolvido pela Catarina. Tem sido muito gratificante acompanhar sua trajetória e contar com sua participação e expertise em projetos de pesquisa que visam ampliar o conhecimento sobre a diversidade genética e a história evolutiva de espécies arbóreas de importância ecológica e econômica para a Amazônia, contribuindo para a conservação e uso sustentável desses recursos florestais”.
Noemia K. Ishikawa, líder do Grupo de Pesquisa Cogumelos da Amazônia (GP-CA/Inpa), também destacou a importância da premiação: “Os conhecimentos sobre as plantas trazidos pela Catarina são fundamentais às pesquisas de cogumelos. Tem sido um privilégio tê-la nos nossos projetos. Saber que ela conquistou tão prestigiado prêmio, e ser a segunda brasileira a receber esta honraria em 185 anos deixou toda equipe muito feliz”.
A pesquisadora do Inpa, Tiara Sousa Cabral, esteve presente à cerimônia em Genebra e relatou: “Foi inspirador presenciar o reconhecimento internacional do trabalho da Catarina e perceber a dimensão de sua contribuição para a Botânica em nível mundial. Ver uma pesquisadora brasileira receber uma das mais importantes distinções da área reforça a importância da ciência que produzimos e inspira novas gerações de mulheres e meninas a seguirem carreira científica”.
O Prêmio Augustin-Pyramus de Candolle foi instituído em 1841 e é uma das mais tradicionais distinções internacionais da Botânica. A honraria reconhece autores ou coautores da melhor monografia dedicada a um gênero ou família de plantas, valorizando a excelência científica, a profundidade taxonômica e a contribuição sistemática dos trabalhos premiados. Ao longo de sua história, destacou importantes avanços para a sistemática vegetal e consolidou-se como referência de excelência na comunidade botânica internacional.
Fonte: Portal Amazônia