Maria Augusta, 66 anos, retoma estudos em Psicologia para ajudar idosos
Aos 66 anos, Maria Augusta Lima está prestes a concluir o curso de Psicologia, um sonho interrompido há quase 40 anos. Seu objetivo é ajudar idosos a lidarem com o fim da vida.

Maria Augusta Lima, natural de Sacramento (MG), está no 9º período do curso de Psicologia e se prepara para realizar um sonho que foi interrompido há quase quatro décadas. Com 66 anos, ela está prestes a concluir a graduação que abandonou no último ano, na década de 1980, e atualmente elabora seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) com o tema 'Fim de Vida e Cuidados Paliativos'.
A mudança de Sacramento para Uberaba aconteceu quando Maria tinha apenas seis anos, impulsionada pela profissão de seu pai, que trabalhava como carpinteiro na construção civil. A infância em Uberaba, embora marcada por momentos alegres, também foi desafiadora devido à condição financeira da família, que vivia com o mínimo necessário. Com a saúde da mãe debilitada por diabetes, doença de Chagas e depressão, Maria viu de perto as dificuldades que o cuidado com a saúde trazia.
Na vida adulta, Maria Augusta trabalhou como balconista em uma ótica e, mais tarde, vendeu bordados e crochês em feiras hippies. Sua trajetória a levou a se mudar para Ribeirão Preto em busca de melhores oportunidades, onde conseguiu um emprego em uma rede de postos de gasolina, tornando-se supervisora. Em 1989, casou-se e adotou dois filhos, mas o sonho de cursar Psicologia nunca a abandonou, mesmo após ter que interromper os estudos na década de 80.
Após retornar a Uberaba em 2001 para ajudar na criação dos filhos de um irmão falecido, Maria decidiu voltar à universidade após completar 60 anos. Ela expressa que, apesar de ter receios em relação ao uso de novas tecnologias, o apoio dos colegas a ajudou a se adaptar. “Eu penso que ainda posso fazer a diferença na vida das pessoas e acredito que não precisamos ficar estagnados na velhice”, afirma Maria, ressaltando a importância de continuar a aprender e a se desenvolver.
Com a conclusão do curso de Psicologia na Uniube, Maria Augusta planeja trabalhar com a abordagem Humanista, focando no atendimento a idosos. Ela acredita que sua experiência de vida pode contribuir para ajudar pessoas na última fase da vida. “Estar aberto para aprender coisas novas nos mantém cheios de vida”, conclui, destacando a importância da troca de experiências entre diferentes gerações ao retornar aos estudos.
Fonte: D24AM