Maria Teresa Piedade, do Inpa, vence Prêmio Almirante Álvaro Alberto
Maria Teresa Piedade, do Inpa, vence Prêmio Almirante Álvaro Alberto, maior honraria da ciência brasileira, por sua trajetória em pesquisas sobre a Amazônia.

A bióloga Maria Teresa Fernandez Piedade, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), foi anunciada nesta sexta-feira (24) como vencedora do Prêmio Almirante Álvaro Alberto, considerada a maior premiação da ciência brasileira. O anúncio foi feito pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), que concede a honraria em parceria com a Marinha do Brasil.
Criado em 1981, o Prêmio Almirante Álvaro Alberto é atribuído anualmente ao pesquisador que tenha se destacado pela realização de obra científica ou tecnológica de reconhecido valor. A cerimônia de entrega será no dia 7 de maio, no Rio de Janeiro, quando Maria Teresa receberá um diploma, uma medalha e um prêmio de R$ 200 mil em dinheiro.
Maria Teresa desenvolve pesquisas sobre a Amazônia há quase 50 anos. Atualmente, é docente dos Programas de Pós-Graduação em Ecologia e Botânica do Inpa, e lidera o grupo de pesquisa Ecologia, monitoramento e uso sustentável de áreas úmidas (Maua).
O desejo de trabalhar com pesquisas na região amazônica surgiu logo que começou o curso de Biologia na Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo. "Quando eu comecei, me foi oferecido um trabalho em ambientes de terra firme. E eu não estava muito satisfeita com isso, porque eu sempre gostei de água. Então eu fiz uma primeira viagem para o Rio Negro. Nesse momento, eu decidi que era nos rios que eu iria trabalhar", relatou Maria Teresa.
Atualmente, seu principal objeto de estudo são os efeitos da variação nos níveis de água durante as cheias e vazantes dos rios. Ela explica que "a água sobe e desce ao longo do ano e transforma os sistemas de uma maneira única e gerando adaptações de organismos e também influenciando todas as cadeias alimentares e os estoques de carbono da região de uma maneira única". Maria Teresa também pesquisa as mudanças provocadas por ações humanas, como a construção de barragens. "O que a gente tem encontrado é que, em 30 anos após a Hidrelétrica de Balbina, em mais de 125 quilômetros de áreas, as florestas vêm morrendo gradualmente, em função da falta de regularidade no suprimento de água, porque esse suprimento passa a responder à demanda energética", explicou sobre a usina construída no Rio Uatumã, no Amazonas.
Maria Teresa reforça a importância dos cursos d'água da região para o país e alerta para a necessidade de preservar esses ambientes. "A sociedade brasileira, de uma maneira geral, depende de todo o balanço hídrico da região amazônica. Os corpos d'água e a floresta formam um conjunto que bombeia a água para os sistemas da terra e essa água se transforma em rios voadores que vão para o Sul, Sudeste", disse. Ela defende que as pesquisas são fundamentais para designar áreas de preservação e entender a fragilidade desses sistemas.
Fonte: D24AM