Material Didático para Fortalecer Línguas Indígenas é Desenvolvido no MT
A Universidade do Estado de Mato Grosso lança projeto para fortalecer o ensino das línguas Kithãuhlu e Negarotê, visando a preservação cultural e bilíngue.

A Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) está implementando uma iniciativa voltada para o fortalecimento do ensino das línguas Kithãuhlu e Negarotê, que pertencem à família Nambikwara. O projeto, conduzido pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas e Linguagem (Facsal) de Tangará da Serra, busca assegurar o ensino bilíngue nessas aldeias, promovendo a valorização cultural.
Coordenado pela professora doutora em Linguística, Mônica Cidele da Cruz, o projeto tem como foco a estruturação gramatical e a produção de material didático específico para as línguas Kithãuhlu e Nakado’tu-Negarotê. As atividades estão sendo realizadas nas aldeias Negarotê e Branca, localizadas no município de Comodoro, a 644 km de Cuiabá, e se estenderão até outubro de 2026.
O projeto, intitulado 'Oficinas Pedagógicas de Estudo das Línguas Kithãuhlu e Negarotê e a Produção de Material de Apoio Didático', adota uma metodologia participativa. Essa abordagem inovadora transforma a fluência oral em conhecimento técnico estruturado, utilizando a ciência como uma ferramenta de emancipação social, envolvendo 32 integrantes, incluindo professores e alunos do Programa de Pós-Graduação em Ensino em Contexto Indígena Intercultural (PPGecii).
Apesar de os povos Kithãuhlu e Nakado’tu-Negarotê manterem viva a oralidade, a pressão do sistema de ensino em língua portuguesa representa uma ameaça à continuidade desses idiomas. A professora Mônica Cidele afirma: “O objetivo do projeto, além da discussão sobre a escrita dessas línguas, é o estudo da gramática e a produção de material didático específico”.
A ação da Unemat reafirma sua posição como referência internacional em educação indígena. Desde 2001, a universidade tem se destacado na formação de cursos superiores diferenciados, garantindo que 5% das vagas de todos os cursos de graduação sejam reservadas para alunos indígenas. Assim, o conhecimento gerado nos laboratórios e centros de pesquisa retorna para o fortalecimento das raízes dos 43 povos originários de Mato Grosso.
Fonte: Portal Amazônia