Médico americano contrai Ebola após cirurgia no Congo
O cirurgião Peter Stafford, que atuava no Congo, foi infectado pelo vírus Ebola durante um surto. Sua condição e a de sua família geram preocupação internacional.

O cirurgião americano Peter Stafford, de 39 anos, viajou para a República Democrática do Congo com uma missão que unia medicina e fé. Ele atuava como o único cirurgião do Hospital Nyankunde, um centro vital para comunidades com acesso limitado a cuidados de saúde, quando foi infectado pelo vírus Ebola durante um surto que já causou mais de 130 mortes.
Peter Stafford faz parte da organização missionária cristã Serge Global, que mantém mais de 325 missionários em 29 países. O objetivo é servir populações vulneráveis e formar uma nova geração de profissionais africanos na área da saúde, enquanto expressam sua fé cristã por meio de assistência médica.
A trajetória de Stafford é marcada pela intersecção entre a medicina e a vocação religiosa. Ele conheceu sua esposa, Rebekah Stafford, durante os estudos na Ohio State University. Juntos, decidiram se mudar para o Congo com os quatro filhos, assumindo um compromisso de pelo menos cinco anos de dedicação na região.
No Hospital Nyankunde, Stafford era essencial, realizando procedimentos complexos em uma área com escassez de especialistas. Sua infecção ocorreu após uma cirurgia em um paciente de 33 anos que apresentava dores abdominais. A equipe inicialmente suspeitou de uma infecção na vesícula biliar, mas a cirurgia revelou que a vesícula estava normal. O paciente faleceu no dia seguinte e foi posteriormente considerado um provável portador do Ebola.
Os sintomas iniciais do Ebola, como febre e fadiga, muitas vezes se confundem com outras doenças comuns na região, dificultando o diagnóstico. Stafford, mesmo sendo cuidadoso e utilizando equipamentos de proteção, acabou sendo exposto ao vírus. No dia 16 de outubro, começou a sentir sintomas, e no dia 17, o teste confirmou a infecção. Ele foi transportado para o hospital Charité – Universitätsmedizin em Berlim, onde recebeu cuidados especializados.
A situação da família de Stafford também é preocupante. Rebekah, que também é médica, atendeu uma paciente grávida que pode ter estado infectada. Ela e os filhos, com idades entre 1 e 7 anos, foram inicialmente isolados no Congo e depois levados à Alemanha para monitoramento. Outro médico da Serge, Patrick LaRochelle, também foi transferido para o Hospital Bulovka, na República Tcheca, como precaução.
As autoridades de saúde dos Estados Unidos estão atentas ao caso. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) está coordenando ações com os ministérios da Saúde do Congo e de Uganda, além de enviar especialistas para ajudar no controle da epidemia. O governo americano anunciou financiamento para até 50 clínicas de tratamento nas áreas afetadas, buscando aumentar a triagem e contenção do vírus.
Atualmente, o surto no Congo é causado pela variante Bundibugyo do vírus Ebola, que apresenta uma taxa de mortalidade entre 25% e 50%. A Organização Mundial da Saúde declarou emergência internacional de saúde pública devido à rápida propagação da doença, com mais de 500 casos suspeitos já registrados.
Fonte: D24AM