Médicos no Pará lutam contra arboviroses durante o verão amazônico
A combinação de calor e chuvas no verão amazônico facilita a proliferação de mosquitos, desafiando médicos a diagnosticar e orientar sobre doenças tropicais no Pará.

No verão amazônico, a combinação de calor intenso, chuvas irregulares e períodos de estiagem cria um ambiente propício para a proliferação de mosquitos, como o Aedes aegypti. Isso representa um desafio significativo para os médicos, que precisam identificar sinais precoces das doenças e orientar as comunidades para reduzir as complicações associadas.
De acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), o Pará registrou 17 mil casos prováveis de dengue em 2025, o que representa uma queda de cerca de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizados 19,7 mil casos. Contudo, a situação é alarmante, pois o número de mortes pela doença aumentou de 11 para 28, evidenciando que, apesar da redução nos casos, a dengue continua a ser uma preocupação grave.
A combinação de fatores climáticos no Pará, como o acúmulo de água parada e as mudanças climáticas, favorece a reprodução de vetores como o Aedes aegypti e o Anopheles, aumentando o risco de surtos de doenças como dengue, chikungunya, malária, leptospirose, febre Oropouche e febre Mayaro. O infectologista Harbi Othman, professor da Afya Marabá, ressalta que o padrão climático da região contribui para o aumento dos casos, que podem se agravar se não forem diagnosticados e tratados rapidamente.
O especialista enfatiza que a prevenção é a estratégia mais eficaz para conter a disseminação dessas doenças. Medidas simples, como eliminar criadouros de mosquitos, manter caixas-d'água fechadas, descartar corretamente o lixo e usar repelentes, são essenciais. O diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações e garantir a saúde da população.
Roberta Raiol, bióloga e professora da Afya Abaetetuba, reforça que o combate às arboviroses deve fazer parte da rotina das comunidades. É fundamental entender como o clima influencia a proliferação dos mosquitos e reconhecer os sinais de alerta para proteger a saúde coletiva. Ela orienta que a eliminação de focos do mosquito deve ocorrer em diversos locais, não apenas nas residências, e destaca a importância de evitar a automedicação, recomendando que qualquer sintoma compatível com arboviroses leve a uma busca imediata por avaliação médica.
Fonte: Portal Amazônia