Ministro classifica cenário no Amazonas como mais grave do que imaginava após sobrevoo
Após sobrevoar áreas afetadas por incêndios, João Paulo Capobianco declarou que o cenário é mais grave do que se esperava. A qualidade do ar em Manaus é considerada péssima.

Uma comitiva federal sobrevoou áreas atingidas por incêndios no Amazonas neste domingo (11). O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, João Paulo Capobianco, classificou o cenário observado na região como mais grave do que o previsto. A declaração foi feita durante entrevista coletiva na Base Aérea de Manaus (BAMN).
A decolagem da aeronave da comitiva do governo federal, prevista para o início da manhã, sofreu atraso temporário devido à densa camada de fumaça sobre Manaus, que comprometeu a visibilidade e o teto operacional na capital. Capobianco afirmou que identificaram muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada, além do fogo que foi colocado na pastagem e adentrou a floresta.
Após a melhoria das condições aeroviárias, a equipe realizou um sobrevoo de monitoramento na região de Autazes e concedeu entrevista coletiva para apresentar um balanço atualizado do combate às queimadas e detalhar o envio de novos recursos ao estado. O ministro destacou que a presença de pontos de fogo isolados em áreas preservadas e de difícil acesso indica ação humana intencional para degradar o bioma e preparar o terreno para futuro desmatamento.
Capobianco fez um apelo para que o Governo do Estado empenhe a Polícia Militar junto ao Corpo de Bombeiros no combate e na identificação dos infratores, ressaltando a necessidade de combater a impunidade na região. A comitiva contou com a participação do ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes; do secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, também chamado João Paulo Capobianco; do governador do Amazonas, Roberto Cidade; do presidente do Ibama, Jair Schmitt; e do secretário Nacional de Defesa Civil, Wolnei Wolff.
Antes de irem a campo, os representantes do governo visitaram o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) e participaram de reunião na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) para alinhar as ações emergenciais de resposta à crise ambiental. O Governo Federal confirmou a mobilização de uma frota de 11 aeronaves, incluindo aviões Air Tractor que já realizam lançamentos de água nas áreas afetadas, e duas aeronaves C-390, que passaram a operar na segunda-feira (12).
Questionado sobre a permanência das equipes e equipamentos, Capobianco garantiu que o efetivo continuará no estado até apagar os focos de incêndio que causam dano à população de Manaus. O atraso na decolagem da comitiva refletiu a forte poluição provocada pelos incêndios na região. Manaus amanheceu encoberta por fumaça densa pelo quarto dia consecutivo, com qualidade do ar classificada como “péssima” em seis municípios da Região Metropolitana, segundo sensores do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
A Defesa Civil emitiu alerta severo orientando o uso de máscaras e restrição de exposição ao ar livre. A Prefeitura de Manaus suspendeu todas as atividades e eventos públicos ao ar livre agendados para domingo e segunda-feira (12). A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) registrou 82 atendimentos de urgência por problemas respiratórios decorrentes da fumaça entre 1º e 8 de outubro. A Prefeitura decretou estado de atenção em 24 de setembro, classificação que segue vigente.
Manaus foi um dos 36 municípios do Amazonas com situação de emergência reconhecida pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), no sábado (10), mesmo dia em que o estado decretou situação de emergência. O ministro Waldez Góes reforçou que o reconhecimento permite atuação integrada das forças de resposta e repasse de recursos. O decreto estadual abrange municípios da Região Metropolitana de Manaus, do sul do Amazonas e outras regiões do estado.
Fonte: Portal Amazônia