Monitoramento de botos é intensificado devido ao calor extremo na Amazônia
Equipes monitoram botos-vermelhos e tucuxis no Lago Tefé para detectar anormalidades causadas pelo aumento das temperaturas, que já atingiram recordes.

A equipe responsável pelo monitoramento da população de botos-vermelhos e tucuxis no Lago Tefé continua com atenção redobrada devido ao aumento das temperaturas na região. O Lago Tefé, situado no município de Tefé, Amazonas, já registrou temperaturas superiores a 38,8°C, levando o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) a instaurar a Operação Emergência Botos Tefé.
As atividades da operação se concentram em observar os botos-vermelhos (Inia geoffrensis) e tucuxis (Sotalia fluviatilis) em áreas críticas do lago. A equipe realiza monitoramentos tanto por embarcações quanto em pontos fixos em terra, para aumentar a confiabilidade das observações e detectar comportamentos anormais, que podem indicar problemas de saúde nos animais.
No dia 19 de outubro, um boto-vermelho macho jovem foi encontrado morto na Enseada do Papucu, e a equipe já coletou amostras para necropsia. Este óbito ocorreu logo após a medição de temperaturas extremas na água, levantando preocupações sobre o impacto do calor na saúde dos cetáceos da região.
As análises iniciais de viroma não indicam infecções virais ativas, mas a investigação sobre a presença de bactérias ainda não chegou a uma conclusão. Para minimizar os riscos, a equipe está testando novas técnicas de condução dos botos para áreas menos críticas, como o uso de pingers, que emitem sons para afugentar os animais, e a técnica havaiana Huki Lau, que utiliza cortinas de objetos para evitar a aproximação dos cetáceos.
Desde setembro, a região do Lago Tefé tem enfrentado uma alta taxa de mortalidade entre os botos e tucuxis, totalizando 154 mortes até o momento. As altas temperaturas da água, que variam entre 29° e 39,1°C, estão diretamente ligadas a esses eventos de mortalidade, embora outras causas ainda estejam sendo investigadas. A operação conta com três frentes principais: Monitoramento Ambiental, Operação Vivos e Operação Mortos, visando proteger e entender melhor as condições dos cetáceos na Amazônia.
Fonte: Portal Amazônia