Moradores de Manaus Sentem Tremor de Terremoto na Colômbia
Um terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia foi sentido em Manaus, a mais de 2 mil km de distância. Especialista explica as razões por trás desse fenômeno.

Manaus, localizada a mais de dois mil quilômetros do epicentro do terremoto que abalou a Colômbia, sentiu os efeitos do tremor no dia 10 de agosto. O abalo sísmico, com magnitude de 7,4, foi classificado como o mais forte da década na nação colombiana, resultando em mais de 230 mortes e cerca de três mil desaparecidos, conforme informações divulgadas pelo governo no dia 12.
Mas como um terremoto tão distante pôde ser percebido pelos manauaras? O mestre em geologia e especialista em engenharia geotécnica, Adnilson Cruz da Silva, explica que isso se deve às características geológicas da área afetada e ao solo da capital amazonense. “Manaus sente o efeito do tremor da Colômbia devido ao embasamento rochoso, que permite que as ondas sísmicas se propaguem a longas distâncias”, detalhou.
O embasamento rochoso, que é a camada sólida abaixo do solo, influencia a intensidade do abalo sísmico. De acordo com Adnilson, a formação geológica de Manaus, que se encontra em uma bacia sedimentar, também contribui para a percepção das ondas sísmicas. Ele destacou que a Formação Alter do Chão, presente na região, é bastante profunda, com áreas que podem ultrapassar um quilômetro e meio de profundidade.
Moradores de prédios, especialmente aqueles que habitam andares superiores, relataram sentir o tremor com maior intensidade. Isso se deve à ressonância das estruturas altas, que funcionam como pêndulos invertidos. “Acima do oitavo andar, as pessoas percebem essa ressonância, mas é um efeito normal e seguro”, explicou o especialista, que ressaltou que essa movimentação não indica danos ao edifício.
Apesar do susto, Adnilson esclarece que a grande distância entre Manaus e San José del Palmar, onde ocorreu o epicentro, faz com que as ondas cheguem à capital com intensidade reduzida. Além disso, os edifícios de Manaus são projetados para suportar movimentos, mesmo não estando em uma área de frequente atividade sísmica. Ele citou a norma brasileira 6123, que garante a resistência das construções a ventos fortes, minimizando os riscos para a população.
Fonte: Portal Amazônia