Nova técnica da USP para separação de terras raras será testada em Roraima
Pesquisadores da USP desenvolveram uma técnica inovadora para separar terras raras usando nanotecnologia. O método será testado no Complexo Barreira, em Roraima.

Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) criaram uma nova técnica que utiliza nanotecnologia para separar terras raras a partir de amostras de argila coletadas no Complexo Barreira, localizado em Caracaraí, no sul de Roraima. Com resultados positivos obtidos em laboratório, os pesquisadores agora se preparam para aplicar essa técnica em campo.
A região do Complexo Barreira tem sido alvo de estudos desde 2025 por parte da Universidade Federal de Roraima (UFRR), que já identificou rochas e argilas com alta concentração de elementos de terras raras, essenciais para o setor tecnológico. As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos fundamentais na produção de baterias, carros elétricos, equipamentos eletrônicos e até sistemas de defesa.
A técnica desenvolvida na USP utiliza nanopartículas magnéticas que se ligam especificamente a determinados elementos presentes nas amostras. Após a captura, um ímã é utilizado para remover essas partículas da mistura, e então, um meio com acidez controlada libera as terras raras. O professor Henrique Eisi Toma, doutor em Química e um dos líderes do projeto, afirmou que esse processo é mais sustentável, pois não gera resíduos poluentes e reduz o impacto ambiental.
O Complexo Barreira, onde as amostras estão sendo analisadas, possui cerca de 120 hectares e está situado a aproximadamente 140 km de Boa Vista. Mais de 50 trincheiras foram abertas na área, revelando a presença de terras raras em todas elas, até a profundidades de 15 metros. A geóloga Lorena Malta, envolvida nas pesquisas, destacou que 90% da área mostra alta concentração desses elementos, e o próximo passo envolve sondagens para determinar a viabilidade econômica da jazida.
O valor das terras raras é impressionante; enquanto a tonelada pode ser avaliada em US$ 8,5 mil (R$ 43 mil) antes da separação, o preço pode saltar para cerca de US$ 800 mil por tonelada (aproximadamente R$ 4 milhões) após o processo. Lusérgio Barreira Abreu da Silva, proprietário do Complexo, recebe propostas de investidores de todo o mundo, embora ainda não esteja pronto para fechar negócios. O Brasil, com 21 milhões de toneladas de reservas, é o segundo maior detentor de terras raras do mundo, atrás apenas da China.
Fonte: Portal Amazônia