Novas espécies de escorpiões na Amazônia revelam potencial farmacológico
Pesquisadores da Unesp descobriram duas novas espécies de escorpiões em Roraima, ampliando a compreensão da biodiversidade amazônica e abrindo portas para a pesquisa farmacológica.

Uma equipe de pesquisadores da Unesp fez uma descoberta significativa ao identificar duas novas espécies de escorpiões na Amazônia, especificamente em uma área próxima à Cachoeira do Evandro, no município de Mucajaí, Roraima. As espécies, nomeadas Brotheas cernii e Cayooca puchus, foram encontradas em um ambiente peculiar conhecido como inselberg, que serve como uma verdadeira "ilha ecológica" dentro da floresta.
A líder da expedição, professora Manuela Berto Pucca, ressaltou que esse achado é um indicativo de que a floresta amazônica, especialmente em Roraima, ainda guarda muitos segredos não explorados. "Se encontramos duas espécies inéditas em uma única região que investigamos, quantas outras ainda existem na região e não conhecemos?", questiona Pucca, enfatizando a importância da pesquisa.
A descoberta foi publicada na revista Diversity e representa o primeiro resultado do projeto AT-Biota, que visa desbravar a riqueza oculta de aracnídeos e triatomíneos em biomas brasileiros. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a equipe de pesquisa coletou exemplares em diferentes épocas do ano para garantir evidências que confirmassem as novas espécies.
As novas espécies são altamente especializadas e sensíveis às condições ambientais, o que dificulta sua manutenção em cativeiro. Pucca explica que, mesmo com tentativas de replicar o ambiente da floresta, nem todos os exemplares sobrevivem. A validação das novas espécies foi um processo meticuloso, envolvendo especialistas de diversas instituições, incluindo a Universidade Federal Rural de Pernambuco e o Instituto Butantan.
Além da relevância acadêmica, a pesquisa sobre esses escorpiões pode abrir portas para a prospecção de novas moléculas com aplicação farmacológica a partir do veneno desses artrópodes. Pucca e sua equipe já iniciaram investigações sobre os compostos produzidos pelas novas espécies, com a expectativa de contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos e inseticidas biológicos. "Conhecer e preservar nossa biodiversidade é fundamental para a ciência e para o desenvolvimento de soluções que beneficiem a sociedade", conclui Pucca.
Fonte: Portal Amazônia