Novo Desenrola surge em meio ao aumento do endividamento familiar
O governo lançou o Novo Desenrola como resposta ao crescimento do endividamento das famílias, impulsionado pela alta taxa Selic e spreads bancários elevados.

Em Brasília, economistas apontam que a elevada taxa básica de juros, a Selic, juntamente com os altos spreads bancários cobrados pelas instituições financeiras, tem sido crucial para o aumento do endividamento das famílias brasileiras. Esta situação levou o governo a anunciar, nesta semana, o programa Novo Desenrola, com o objetivo de auxiliar os cidadãos a renegociar suas dívidas.
O spread bancário, que é a diferença entre os juros pagos pelos bancos e aqueles cobrados dos consumidores, atingiu 34,6 pontos percentuais em março de 2023, um aumento em relação aos 29,7 pontos registrados no mesmo mês de 2022. Para contextualizar, o Banco Mundial estima que a média global de spread bancário fica em torno de 6 pontos percentuais, o que ressalta a discrepância do cenário brasileiro.
A professora de economia da Universidade de Brasília (UnB), Maria Lourdes Mollo, destacou que um aumento na taxa Selic resulta em juros mais altos para os empréstimos, o que impacta diretamente o endividamento das pessoas. “Os juros dos empréstimos estão muito altos. Isso tem uma relação direta, sem dúvida nenhuma, com o endividamento das pessoas, o que tem dificultado muito a economia a funcionar,” afirmou Maria de Lourdes.
Além disso, a precarização do mercado de trabalho, especialmente após a reforma trabalhista de Michel Temer, tem levado muitas famílias a se endividarem para cobrir suas necessidades básicas. “Esse Novo Desenrola pode liberar um pouco o orçamento das pessoas e, eventualmente, até dar um estímulo à economia,” completou a professora Mollo.
Em abril de 2023, 80% das famílias brasileiras estavam endividadas, um recorde histórico. A pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) também revelou que 29,7% das famílias estavam inadimplentes. Os dados mostram que as famílias que recebem até três salários mínimos são as mais afetadas, com 83,6% apresentando endividamento e 38,2% com contas em atraso.
Fonte: D24AM