Número de brasileiros que se identificam com a direita cresce, aponta Datafolha
Uma pesquisa Datafolha revela que 44% dos brasileiros se consideram de direita, superando os 39% que se identificam com a esquerda pela primeira vez desde 2014.

SÃO PAULO – De acordo com uma pesquisa recente do Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (3), a identificação dos brasileiros com a direita ultrapassou pela primeira vez a da esquerda desde 2014. O levantamento revela que 44% dos entrevistados se classificam como de direita ou centro-direita, em comparação a 39% que se identificam com a esquerda ou centro-esquerda, uma diferença de cinco pontos porcentuais, que está fora da margem de erro de dois pontos.
A pesquisa foi elaborada através de um questionário que abordou questões de valores sociais, culturais e econômicos, incluindo temas como armas, pobreza, criminalidade, homossexualidade e religião. Também foram feitas perguntas sobre economia, envolvendo impostos e a atuação do Estado. Em 2014, durante o governo de Dilma Rousseff (PT), a direita tinha uma identificação de 45%, enquanto a esquerda contava com 35%, uma diferença ainda maior do que a atual.
Desde então, o cenário político brasileiro apresentou uma série de mudanças. Em 2017, houve um empate técnico entre direita e esquerda, com 40% e 41%, respectivamente. Já em 2022, sob a presidência de Jair Bolsonaro, a esquerda alcançou 49% de identificação, enquanto a direita somou apenas 34%. Naquele ano, tanto a direita quanto a esquerda estavam praticamente empatadas no eixo comportamental, com 39% e 42% respectivamente.
A pesquisa mais recente mostra uma mudança significativa em relação a 2022, especialmente no eixo comportamental. Atualmente, 52% se identificam com a direita, enquanto apenas 29% se consideram de esquerda e 20% no centro. A percepção sobre a pobreza também apresentou uma alteração marcante, com a crença de que a pobreza é causada pela falta de oportunidades caindo de 76% para 58%. Por outro lado, a ideia de que a preguiça é a causa quase dobrou, subindo de 22% para 40%.
Além disso, questões de segurança pública e costumes também mostraram mudanças. Em 2022, 63% dos entrevistados apoiavam a proibição da posse de armas, enquanto 35% eram a favor da posse legalizada. Hoje, esses números foram alterados para 55% e 41%, respectivamente. A pesquisa dividiu os entrevistados em cinco grupos: 15% se identificaram como direitistas, 29% como centro-direita, 17% como centro, 26% como centro-esquerda e 13% como esquerda. A pesquisa foi realizada presencialmente nos dias 17 e 18 de junho com um total de 2.004 eleitores em 139 municípios, com uma margem de erro de dois pontos percentuais e um nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.
Fonte: Amazonas Atual