Omar Aziz e Maria do Carmo: Conflito de Trajetórias na Eleição para Governador
Neste domingo (25), Omar Aziz e Maria do Carmo Seffair disputam o governo do Amazonas com histórias de vida e carreira muito diferentes. O desafio de quem vencer será resolver os graves problemas estruturais do estado.

MANAUS — Neste domingo, 25 de outubro, os candidatos Omar Aziz (PSD) e Maria do Carmo Seffair (PL) estão frente a frente no segundo turno da eleição para o Governo do Amazonas, que definirá o novo gestor para o mandato que vai de 2027 a 2030. Ambos possuem trajetórias de vida e experiências de gestão bastante distintas: enquanto Omar construiu sua carreira no setor público, Maria do Carmo se destacou na iniciativa privada.
Quem for eleito enfrentará a dura realidade de um estado que lida com sérios problemas estruturais, como a falta de saneamento básico, deficiências no abastecimento de água, tratamento de esgoto precário, insuficiência nos serviços de saúde especializada e um déficit no número de efetivos policiais. O próximo governador terá à sua disposição um orçamento estimado em R$ 160 bilhões para o período de quatro anos, o que representa cerca de R$ 40 bilhões anualmente.
Maria do Carmo, de 66 anos e natural de Manaus, é uma empresária reconhecida por dirigir a Fametro, uma das maiores instituições de ensino privado do estado. Sua trajetória na política começou em 2022, quando atuou como suplente do ex-prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, que concorria ao Senado. Desde então, ela já se candidatou a vice-prefeita em 2024, mas não obteve sucesso. Este ano, ela tenta a sorte pela primeira vez como candidata a governadora, tendo como vice o coronel do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, Mário Aníbal Júnior.
Omar Aziz, por outro lado, tem 68 anos e uma longa carreira política que inclui cargos como vereador, vice-prefeito de Manaus, deputado estadual e vice-governador do Amazonas. Ele assumiu o governo em 2010 e foi reeleito no mesmo ano. Omar também enfrentou controvérsias, como a Operação Vertex, que investigou possíveis desvios de recursos públicos, mas que foi arquivada por falta de provas. Na atual campanha, ele tem se destacado em debates nacionais e presidido comissões importantes no Congresso.
De acordo com o cientista político Afrânio Soares, a polarização nacional entre Lula e Bolsonaro também se reflete nas preferências eleitorais em Manaus. No primeiro turno, Omar obteve 40,63% dos votos no estado, enquanto Maria do Carmo ficou com 24,49%. Contudo, na capital, a situação se inverteu, com Maria alcançando 32,89% e Omar 31,44%. Afrânio aponta que o peso da política local e das prefeituras é um fator decisivo no interior do Amazonas, onde Omar conta com o apoio de todos os prefeitos, o que pode influenciar diretamente na votação.
Fonte: Amazonas Atual