Pediatras alertam sobre riscos de brinquedos com inteligência artificial
Brinquedos com IA oferecem interação, mas podem impactar o desenvolvimento infantil. Especialistas destacam a importância do uso cauteloso.

Em Brasília, a Sociedade Brasileira de Pediatria emitiu um alerta sobre os perigos associados aos brinquedos que utilizam inteligência artificial. Diferentemente dos brinquedos convencionais, esses dispositivos têm a capacidade de dialogar, memorizar informações e personalizar respostas, criando uma nova dinâmica na interação com as crianças.
A engenheira de pesca Nadira Rocha compartilha a experiência de sua família com o uso de tecnologia desde os primeiros meses de vida de seu filho, Rudá, que agora tem 1 ano e 4 meses. Ela lembra que Rudá costumava sorrir para a câmera da babá eletrônica, que permitia a comunicação entre mãe e filho, fazendo-o sentir-se acompanhado.
No entanto, essa nova realidade traz preocupações para o desenvolvimento infantil. O médico Eduardo Cordioli, presidente do Grupo de Trabalho Pediatria IA da Sociedade Paulista de Pediatria, enfatiza os riscos do contato excessivo com essa tecnologia, que pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo, emocional e comportamental das crianças.
O médico ilustra a situação com um exemplo: uma criança interagindo com um brinquedo que a cumprimenta pelo nome e elogia sua aparência. Essa interação pode proporcionar uma recompensa inesperada que substitui o vínculo emocional que a criança deveria desenvolver com seus cuidadores, como pais e responsáveis.
Ao escolher um brinquedo com inteligência artificial, é fundamental considerar não apenas a diversão e a educação que ele pode oferecer, mas também a adequação à idade da criança, os dados que o dispositivo coleta, as opções de privacidade e o tempo de uso. A tecnologia não pode ser completamente evitada, mas deve ser utilizada com cautela e supervisão. Para mais orientações sobre inteligência artificial e saúde infantil, acesse o site SPSP.org.br/pediatria-ia.
Fonte: D24AM