Pesquisa revela biodiversidade na Serra do Aracá após expedição científica
Pesquisadores retornam da Serra do Aracá com milhares de espécimes coletados. Análises podem confirmar novas espécies e contribuir para a ciência brasileira.

A expedição científica à Serra do Aracá, no Amazonas, chegou ao fim, mas a verdadeira análise dos dados coletados está apenas começando. Os pesquisadores, que retornaram no dia 12 de setembro, trouxeram consigo uma vasta gama de espécimes, incluindo plantas, animais e amostras de solo e água. Miguel Trefaut Rodrigues, líder da expedição e professor emérito do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, afirmou: "Os resultados foram muito além do que a gente esperava".
A expedição durou 19 dias, dividida em duas bases de pesquisa localizadas a 1.265 metros e 850 metros de altitude. Durante esse período, a equipe multidisciplinar coletou uma diversidade impressionante de amostras, incluindo nove espécies de lagartos, 18 espécies de anfíbios, cerca de 20 mamíferos, 80 aves, além de mais de 300 invertebrados e 2 mil exsicatas de plantas. "A coleta foi tão rica que não imaginávamos resultados tão positivos", destacou Trefaut.
Além da rica diversidade biológica, a equipe também coletou cem amostras de parasitas sanguíneos e material para estudos de DNA ambiental. O estudo paleopolínico, que visa entender a evolução da vegetação na região, também foi parte das atividades da expedição. Trefaut mencionou que até o último dia foram feitas coletas significativas, incluindo a captura de uma cobra que possivelmente é uma nova espécie.
Com o retorno dos cientistas, o material coletado começará a ser processado para integrar as coleções científicas permanentes. Os acervos de répteis, anfíbios e aves serão depositados no Museu de Zoologia da USP, enquanto os mamíferos seguirão para a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. As plantas passarão por secagem e catalogação no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), antes de serem distribuídas a outras instituições.
As análises laboratoriais, que incluirão sequenciamento genético e estudos morfológicos, são essenciais para confirmar se os animais coletados são de fato novas espécies. O parasitólogo Bruno Fermino destacou que as amostras foram divididas para diferentes tipos de análise, garantindo que cada aspecto da biodiversidade seja estudado. A produção de resultados científicos deverá levar de quatro a cinco anos, evidenciando que a ciência de qualidade exige tempo e dedicação.
Fonte: Portal Amazônia