Pesquisa revela fatores que afetam a alimentação em comunidades ribeirinhas
Estudo destaca a influência de mercados, pesca e agricultura na dieta de comunidades ribeirinhas da Amazônia. Resultados indicam a necessidade de políticas adaptadas a cada contexto local.

A alimentação nas comunidades indígenas e ribeirinhas da Amazônia é influenciada por uma variedade de fatores, que vão além da produção local. Um estudo recente aponta que a presença de mercados locais, a renda gerada pela pesca, a diversidade agrícola e as condições ambientais desempenham papéis cruciais na qualidade e variedade da dieta dessas populações tradicionais.
A pesquisa foi liderada pela pesquisadora Daiane Soares Xavier da Rosa, em colaboração com instituições de pesquisa do Brasil e de Portugal. O trabalho envolveu especialistas em ecologia, sustentabilidade e ciências sociais, e foi realizado nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, que juntas somam mais de 34 mil km² e abrigam diversas comunidades tradicionais.
Os pesquisadores conduziram o estudo em seis comunidades que apresentam diferentes distâncias dos centros urbanos e contextos socioeconômicos. Com base nas observações, foram definidos dois perfis: as comunidades de paleovárzea, que dependem mais da agricultura e pesca, e as comunidades de várzea, que têm maior conexão com os centros urbanos e oferecem mais diversidade econômica.
O estudo revelou que a diversidade de cultivos agrícolas está diretamente relacionada a uma dieta mais rica e de melhor qualidade, com maior consumo de alimentos in natura. Por outro lado, as comunidades com maior número de minimercados tendem a consumir mais alimentos ultraprocessados, o que levanta preocupações sobre os impactos na saúde das famílias.
Os dados também mostraram variações significativas entre as famílias dentro das comunidades, indicando que, enquanto as estratégias de aquisição de alimentos são coletivas, o consumo individual reflete as capacidades e condições de cada família. A pesquisa conclui que é essencial que políticas públicas voltadas para a segurança alimentar considerem as especificidades de cada território, promovendo a valorização de dietas tradicionais e o fortalecimento das economias locais.
Fonte: Portal Amazônia