Pesquisadora do Inpa é premiada internacionalmente por estudo sobre samburá
Kemilla Sarmento Rebelo recebeu o prêmio MZ Mustafa for Young Researcher pela IBRA, reconhecendo seu trabalho com samburá, produto das abelhas sem ferrão.

A pesquisadora Kemilla Sarmento Rebelo, vinculada ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), foi reconhecida internacionalmente ao ganhar o prêmio MZ Mustafa for Young Researcher in Meliponitherapy, concedido pela International Bee Research Association (IBRA). Este prêmio é destinado a jovens cientistas que se destacam pela excelência em pesquisas sobre produtos de abelhas sem ferrão.
A cerimônia de premiação aconteceu no dia 18 de junho, durante o encerramento do ISSB IBRA 2026 – International Symposium on Stingless Bees, que foi realizado de forma online na Grécia. O artigo que garantiu o prêmio a Kemilla, intitulado “Suplementação com o samburá reduz a glicose de jejum e modula a microbiota intestinal em modelo animal de obesidade induzida”, foi avaliado por uma comissão composta por especialistas de diferentes continentes.
Além do reconhecimento, a pesquisadora recebeu como parte do prêmio um livro intitulado “Stingless bee therapeutic biomaterials: Novel anti-antimicrobial-resistant agents – Springer Nature” e uma assinatura eletrônica de um ano do Journal of Apicultural Research, da Taylor & Francis, em nome da IBRA. O estudo realizado por Kemilla é pioneiro ao demonstrar que o samburá, conhecido como o 'pólen das abelhas sem ferrão', pode reduzir os níveis de glicose em jejum e influenciar positivamente a microbiota intestinal em modelos de obesidade.
A pesquisadora ressaltou que a modificação na microbiota intestinal foi associada a melhorias no metabolismo da glicose, indicando o potencial do samburá como um recurso para auxiliar pessoas com diabetes. Kemilla, que também atua como docente no Programa de Pós-Graduação em Agricultura no Trópico Úmido do Inpa, vê o prêmio como uma motivação para expandir as pesquisas sobre produtos de abelhas sem ferrão, que ainda são pouco explorados no Brasil e no exterior.
Ela comentou sobre a escassez de pesquisas relacionadas ao samburá, apesar da existência de mais de 500 espécies de abelhas sem ferrão ao redor do mundo. “O potencial é enorme aqui na Amazônia! O Amazonas é o estado com a maior diversidade de abelhas sem ferrão, então ainda há muito a descobrir sobre o samburá de cada espécie. Me sinto muito feliz e honrada em receber esse prêmio”, declarou. O Inpa mantém uma coleção viva de abelhas sem ferrão e uma linha de pesquisa dedicada aos produtos de abelhas nativas, focando em nutrição, saúde e bioeconomia.
Fonte: Portal Amazônia