Pesquisadores exploram terras raras em Roraima, entre serras e rochas antigas
Uma área de mais de 120 mil hectares em Caracaraí é alvo de estudos sobre terras raras, essenciais para a tecnologia moderna. A pesquisa envolve universidades renomadas e promete grande potencial econômico.

Uma vasta área de mais de 120 mil hectares situada entre as serras do Baraúna e do Anauá, no município de Caracaraí, Sul de Roraima, está sendo estudada por pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e da Universidade de São Paulo (USP). Esta região é rica em rochas e argilas de aspecto brilhante, que são essenciais para a análise de terras raras, elementos químicos de grande importância para a indústria de alta tecnologia.
As terras raras compreendem um grupo de 17 elementos químicos usados em diversos produtos, desde baterias até equipamentos eletrônicos. Apesar do nome, esses elementos não são realmente raros, mas apresentam dificuldades em seu processo de separação e extração devido às suas propriedades químicas semelhantes. Os pesquisadores da UFRR identificaram 16 desses elementos nas amostras coletadas, com exceção do promécio, e as concentrações encontradas são consideradas anômalas, superando os níveis esperados para tais elementos.
O doutor em bioestratigrafia da UFRR, Vladimir de Souza, explica que a pesquisa busca determinar a concentração de terras raras na região, que possui variabilidades entre os elementos. Com mais de 50 trincheiras abertas em diferentes locais da área, as análises indicam que as terras raras estão presentes em todas as amostras, em profundidades que chegam a 15 metros, com concentrações variando de 0,3% a 0,6%.
A próxima fase da pesquisa será a sondagem, que consiste na perfuração do subsolo para verificar a continuidade da ocorrência mineral. Segundo os pesquisadores, é esperado que a concentração de terras raras aumente com a profundidade, uma vez que a formação geológica da região, que inclui rochas com entre 1,4 bilhão e mais de 2 bilhões de anos, favorece a acumulação desses elementos.
A região analisada, que pertence ao empresário Lusérgio Barreira, começou a ser estudada após a descoberta de uma argila durante a construção de sua casa em 2019. Desde então, Lusérgio tem se dedicado a investigar a área, coletando amostras e buscando autorização para perfurações, com a expectativa de que a exploração das terras raras possa transformar a realidade econômica não apenas de Caracaraí, mas de todo o Brasil.
Fonte: Portal Amazônia