Pix impulsiona inclusão financeira, mas atenção ao endividamento, alerta BC
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou que o Pix promoveu a inclusão financeira, especialmente entre os de baixa renda, mas alertou sobre o aumento do endividamento das famílias.

BRASÍLIA – Durante a abertura da Febraban Tech, nesta segunda-feira (24), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, enfatizou que o Pix tem sido um motor significativo para a inclusão financeira, beneficiando principalmente a população de baixa renda. No entanto, ele também fez um alerta sobre o crescimento do acesso ao cartão de crédito e o consequente aumento no endividamento das famílias brasileiras.
Galípolo afirmou que, embora a inovação do Pix tenha ampliado o acesso a serviços financeiros, é crucial que essa expansão esteja acompanhada de um consumo mais consciente e de mecanismos que ajudem a mitigar riscos. Ele comentou que, historicamente, a infraestrutura de pagamentos no Brasil se entrelaça com a oferta de crédito, resultando em custos e riscos para o sistema.
Segundo Galípolo, mais da metade dos usuários de cartão de crédito no país enfrenta dívidas, seja por meio do crédito rotativo ou do parcelamento. Ele destacou que é desejável retirar custos de risco do sistema, pois isso não é algo que as instituições financeiras estão habituadas a lidar. O presidente do BC também observou que nem todo tipo de endividamento é problemático, considerando normal que a promoção do crédito conduza a um aumento na dívida.
Um ponto crucial levantado por Galípolo foi que o endividamento se torna preocupante quando as famílias contraem dívidas para consumo efêmero, especialmente em um cenário de juros altos. Ele mencionou que a discussão atual envolve entender por que as recentes melhorias na renda e no emprego não resultaram na diminuição do endividamento.
Galípolo ressaltou a necessidade de as instituições financeiras melhorarem a gestão de riscos, especialmente com o aumento do crédito consignado privado, que tem pressionado a situação financeira das famílias. Ele também reiterou que o Banco Central está considerando medidas macroprudenciais em conformidade com referências internacionais para facilitar a transição para um modelo digital, sem permitir que desequilíbrios se perpetuem. Ao final de sua fala, o presidente do BC reforçou a importância da inclusão, mas enfatizou que é necessário avançar na “cidadania financeira” e alertou sobre a desinformação que cerca o Pix.
Fonte: Amazonas Atual