PL é o único partido que rejeita debater projeto contra misoginia, afirma deputada
A deputada Tabata Amaral criticou o PL por não querer discutir a criminalização da misoginia, equiparada ao racismo. Líder do partido nega a informação.

BRASÍLIA – A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) afirmou que o PL, partido da família Bolsonaro, é o único que ainda não demonstrou interesse em dialogar sobre o projeto que visa criminalizar a misoginia. Em entrevista ao Estadão, ela considerou a situação "muito grave", ressaltando a importância de debater a proposta que equipara a misoginia, que envolve ódio e preconceito contra mulheres, ao crime de racismo.
Em resposta às declarações de Tabata, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), contestou a informação e informou que nesta quarta-feira (8) autorizou o deputado Lafayette de Andrada (PL-MG) a abrir um canal de diálogo com a relatora. "É uma sinalização muito ruim não querer fazer parte de uma construção de um projeto que defende as mulheres", lamentou a parlamentar.
Tabata Amaral enfatizou que a violência contra as mulheres transcende as diferenças políticas. "O abusador não se importa se a mulher é de direita ou esquerda, se apoia Lula ou Bolsonaro. Não debater esse assunto é extremamente preocupante", afirmou, reiterando a necessidade de união em torno da causa.
Nos últimos dias, a deputada tem se reunido com diversos gabinetes em Brasília, incluindo longas conversas com a bancada evangélica, com o objetivo de construir um texto que possa alcançar consenso. O intuito é que o projeto de lei seja votado na próxima semana, antes do recesso parlamentar.
Além disso, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está empenhado na aprovação do projeto, que pode fortalecer a imagem do petista entre o eleitorado feminino. Segundo a pesquisa Genial/Quaest de junho, Lula conta com 41% das intenções de voto entre mulheres, enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem apenas 24%, o que representa um desafio significativo para sua campanha.
Fonte: Amazonas Atual