Plantas da Amazônia se Adaptam em Simulação de Mudanças Climáticas
Estudo revela que vegetação amazônica é resiliente a altos níveis de CO₂ e escassez de fósforo. Pesquisa destaca importância de continuar os estudos sobre o fenômeno.

Um novo experimento que simula o aumento das concentrações de CO₂ na atmosfera da Amazônia revela que a vegetação local demonstra um comportamento competitivo e resiliente diante de condições adversas. A pesquisa, publicada na revista Nature Communications, aponta como a floresta se organiza para lidar com a escassez de fósforo, um nutriente vital para as plantas.
Realizado ao longo de dois anos, a partir de 2019, o estudo focou em um sub-bosque da Amazônia, onde árvores de até três metros de altura foram expostas a concentrações elevadas de dióxido de carbono. O experimento é parte do programa AmazonFACE, vinculado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), em parceria com o governo britânico e sediado no Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA).
Os resultados mostraram que, sob condições de aumento de CO₂, as raízes das plantas se tornaram mais longas e finas, enquanto a colonização por fungos nas raízes fixadas no solo aumentou. Isso sugere uma mudança na competição entre plantas e microrganismos por recursos limitados, corroborando a ideia de uma “fertilização por CO₂”, que precisa de mais estudos.
A pesquisa demonstrou que as plantas conseguiram aumentar significativamente seu crescimento, com uma assimilação de carbono em 67% e um aumento do diâmetro do caule em 65%. Esses dados ressaltam a importância do bioma amazônico na luta contra as mudanças climáticas, apesar de ser um dos mais impactados por secas e alagamentos nos últimos anos.
Segundo Nathielly Martins, autora principal do estudo, essa rápida adaptabilidade das plantas é crucial para a preservação da floresta como um sumidouro de carbono. Os resultados até agora são promissores e podem contribuir para um melhor entendimento sobre como a Amazônia poderá responder a cenários climáticos futuros em todo o mundo.
Fonte: Portal Amazônia