Polícia Federal investiga desvio de R$ 308 milhões em acordo do Estado de MT
A Polícia Federal cumpre 25 mandados para investigar desvio de R$ 308 milhões em acordo entre o Estado de Mato Grosso e a Oi, na gestão Mauro Mendes. Medidas cautelares incluem bloqueio de bens.

A Polícia Federal cumpre, nesta quinta-feira (6), 25 mandados de busca e apreensão para investigar um desvio de R$ 308 milhões relacionado a um acordo entre o Estado de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi, durante a gestão do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil). As medidas foram expedidas pelo ministro do STF, Flávio Dino.
Entre os alvos das buscas estão a sede da Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso e a residência de Mauro Mendes, que é pré-candidato ao Senado. A Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT) informou que "irá contribuir com tudo que for requerido". A reportagem solicitou manifestação de Mauro Mendes e da Oi sobre as investigações.
O desembargador Ricardo Gomes de Almeida, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, também é alvo de mandados de busca e apreensão. Ele foi nomeado para o cargo em novembro de 2025, após ser escolhido pelo então governador Mauro Mendes por meio do quinto constitucional da advocacia. O tribunal foi procurado para manifestação.
De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que a operação financeira investigada tenha sido utilizada para viabilizar o desvio de recursos públicos, por meio de estrutura financeira composta por fundos de investimento em cascata e pessoas jurídicas interpostas, com o objetivo de ocultar e dissimular a origem, a movimentação e a destinação do dinheiro.
As buscas da Operação Heritage são cumpridas nos Estados de Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará. Também são cumpridas medidas como afastamento dos sigilos bancário e fiscal, bloqueio e indisponibilidade de bens até o limite aproximado de R$ 316 milhões, proibição de saída do país com recolhimento de passaportes, proibição de contato entre investigados, entre outras medidas cautelares.
A operação tem relação com o depoimento do ex-governador de Mato Grosso Pedro Taques à CPI do Crime Organizado, em março deste ano. Taques afirmou que R$ 308 milhões provenientes da devolução de tributos cobrados indevidamente foram direcionados, por meio do Banco Master, a empresas ligadas a aliados de Mauro Mendes. Segundo Taques, a empresa Oi cedeu o crédito a um terceiro, que firmou acordo com o Estado de Mato Grosso, e os valores foram depositados em dois fundos administrados pelo Banco Master: Royal Capital e Lotte World. O dinheiro teria sido destinado a empresas ligadas ao filho, à esposa e a aliados de Mauro Mendes.
Segundo a Polícia Federal, os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada.
Fonte: Amazonas Atual