Povos Indígenas de Rondônia Unem Tradição e Tecnologia para Monitorar Biodiversidade
A Associação do Povo Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, em parceria com WWF-Brasil e SOS Amazônia, inicia o monitoramento da biodiversidade utilizando drones e armadilhas fotográficas.

Em uma iniciativa sem precedentes, a Associação do Povo Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, juntamente com o WWF-Brasil e a SOS Amazônia, implementou o monitoramento da biodiversidade no território indígena Uru-Eu-Wau-Wau, localizado em Rondônia. Essa ação inova ao unir tecnologias modernas, como drones e armadilhas fotográficas, ao conhecimento ancestral dos povos indígenas, com o objetivo de proteger os seus territórios na Amazônia.
Entre os dias 27 e 30 de abril, uma oficina prática foi realizada em Rondônia, reunindo lideranças indígenas para um treinamento focado na coleta de dados sobre a fauna e os impactos ambientais em seus territórios. A ação surge em um contexto de crescente pressão climática e de atividades ilegais na região da fronteira entre os estados do Amazonas, Acre e Rondônia, destacando a importância da colaboração entre saberes tradicionais e tecnologia para a defesa da floresta.
Durante o treinamento, o WWF-Brasil, em parceria com a SOS Amazônia e outras organizações, instalou 63 armadilhas fotográficas no território Uru-Eu-Wau-Wau, que abrange uma área de 1.867.000 hectares. Felipe Feliciani, analista de conservação do WWF-Brasil, ressaltou a importância dessa integração de conhecimentos, afirmando que ela possibilita uma compreensão mais profunda e diversa da biodiversidade e garante o protagonismo das populações tradicionais no processo.
A iniciativa visa preencher lacunas de informação técnica que muitas vezes não são abordadas de forma sistematizada pela academia nos territórios indígenas. A documentação de espécies ameaçadas pelos monitores serve como um argumento jurídico e político na defesa da integridade territorial contra invasões, reforçando a importância do monitoramento como ferramenta de proteção ambiental e social.
Bitaté Uru-Eu-Wau-Wau, uma das lideranças da comunidade, destacou como a parceria com organizações como o WWF-Brasil tem sido vital para fortalecer a cultura tradicional com novas tecnologias. Ele mencionou que os dados coletados ajudam a gerar relatórios que são enviados a instituições de controle, como a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, proporcionando mais segurança para as comunidades. A urgência dessa ação é ainda mais evidente diante da degradação ambiental acelerada e da necessidade de proteger os direitos e a vida das comunidades indígenas.
Fonte: Portal Amazônia