Povos Tradicionais Contribuem para Diversidade na Alimentação Escolar
Iniciativas do PAA e do PNAE trazem alimentos regionais às escolas, mas mais políticas públicas são necessárias. Diversidade alimentar aumenta com pratos típicos e saudáveis.

As chamadas do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) têm se mostrado fundamentais para a inclusão de alimentos de povos e comunidades tradicionais nas escolas. Um exemplo é a variedade de alimentos que chega à merenda escolar, como o berarubu, típico entre os indígenas Kayapó e Xikrin, e diversas bananas no Vale do Ribeira, em São Paulo.
Em 2025, a lista de itens alimentares na região de Iporanga aumentou de 55 para 130, graças a políticas públicas que se adaptaram à realidade local. Carlos Ribeiro, do Instituto Socioambiental (ISA), destaca que essa diversidade nos pratos é um reflexo da riqueza cultural e ambiental da área, que abriga um grande número de comunidades quilombolas.
Um dos pratos que vem ganhando destaque é o berarubu, uma iguaria feita de massa de mandioca recheada com peixe, assada em pedras quentes. Essa tradição alimentar, que utiliza ingredientes colhidos e pescados da floresta, é um exemplo de como a cultura alimentar pode ser integrada à merenda escolar, trazendo novos sabores e nutrientes para os alunos.
Além do berarubu, a diversidade continua com alimentos como golosa, inajá e cacauí. A Rede Terra do Meio, que inclui indígenas e extrativistas do Pará, apresentou uma lista de 82 alimentos ao PAA, dos quais 22 eram inéditos no sistema da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), ressaltando a invisibilidade da diversidade alimentar dos povos tradicionais.
Apesar dos avanços, desafios persistem, especialmente em relação à documentação e logística para acesso ao PAA e PNAE. A mobilização de organizações como a Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos (Catrapovos) busca desburocratizar o processo, permitindo que mais comunidades tenham acesso a essas políticas essenciais para a segurança alimentar e a valorização cultural.
Fonte: Portal Amazônia