Professor defende manejo de jacarés como estratégia de conservação no Amazonas
Ronis Da Silveira, da Ufam, afirma que jacarés não causam escassez de peixes e propõe manejo econômico para proteção da espécie.

MANAUS - O professor Ronis Da Silveira, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), especialista em crocodilianos e focado no jacaré amazônico, defende que a crença de que estes animais causam escassez de pescado nos rios da região carece de embasamento científico. Em entrevista, ele discute a necessidade de um manejo econômico da espécie, ressaltando que essa prática deve ser industrial, envolver as comunidades locais e compartilhar os lucros.
Segundo Da Silveira, não há evidências que sustentem a ideia de que a abundância de jacarés justifique um programa de manejo por competição com pescadores. Ele enfatiza que a presença dos jacarés é um sinal de equilíbrio ambiental, já que ajudam a controlar espécies de peixes que não possuem valor alimentar ou comercial, evitando que essas se multipliquem descontroladamente e afetem a pesca e a segurança alimentar dos ribeirinhos.
O professor menciona que a tese da competição entre jacarés e pescadores é antiga, com pelo menos trinta anos de propagação no Amazonas. Ele argumenta que estudos sobre a dieta dos jacarés indicam que esses animais consomem muito pouco pescado, especialmente durante a seca, quando os peixes se aglomeram e morrem por falta de oxigênio na água, tornando-se presas fáceis.
Da Silveira também critica a ideia de que os jacarés, por serem predadores de topo, necessitam de manejo. Ele explica que a população de jacarés é naturalmente controlada por outros fatores, como a predação de ovos e filhotes por diversas espécies. O clima e as condições ambientais também desempenham um papel importante na regulação da população, afirmando que o crescimento dos jacarés os torna alvos de predadores como aves e outros jacarés maiores.
O professor ressalta que o manejo econômico deve ser visto como uma forma de proteger a espécie e mudar a percepção negativa que as comunidades ribeirinhas têm sobre os jacarés. Para ele, é fundamental que a população local entenda que esses animais podem representar uma fonte de renda. Ele acredita que o manejo deve ser de base comunitária, garantindo que os moradores locais sejam beneficiados e não se tornem meros fornecedores de matéria-prima. O secretário de Estado de Pesca e Aquicultura, Alessandro Cohen Melo, também aponta desafios legais e logísticos para o manejo do jacaré no Amazonas, destacando a importância de uma política de manejo bem estruturada para o sucesso da atividade.
Fonte: Amazonas Atual